domingo, 27 de dezembro de 2015

Amores líquidos sim! E daí? (Eu sou amor da cabeça aos pés!)



A geração da minha mãe e anteriores foram gerações de mulheres que casavam. Algumas estudavam, algumas trabalhavam (e trabalham), mas invariavelmente casavam. Muitas vezes com o primeiro e único namorado ("moça de família" não podia passar muito disso). Era a principal perspectiva na vida da mulher. Minha geração cresceu em meio a mundos cor de rosa, brincando de casinha e acreditando que esse também seria nosso destino, afinal, esse era o "final feliz" de toda princesa... Eu cresci acreditando nisso. Fui moleca, brinquei muito de bola, de pique, subia em árvore, assistia desenhos de luta... Mas mesmo assim acreditava em "príncipe encantado". Brincava de namoro e casamento com Barbie e Ken (tinham cama de casal e tudo). Sonhava em ter um namorado desde o pré-escolar. Aliás, sempre tive paixões platônicas, desde que me entendo por gente. O primeiro foi o primo de uma amiguinha. Depois o menino mais bonitinho da escola. Não consegui dançar com ele na quadrilha. Meu par foi o Jow, logicamente se tornou meu terceiro "namorado" (na minha cabeça), apesar de achar que esse até que foi correspondido... rs. Depois aprendi a escrever e vieram os diários. Altas declarações de amor... Fui daquelas que escrevia carta anônima e tudo. Também recebi várias cartas, mas nunca gostava de quem gostava de mim. E os meninos de quem eu gostava ou não gostavam de mim, ou nem percebiam que eu gostava deles... Veio a adolescência e as coisas começaram a deixar de existir apenas no plano das ideias. Paixões, emoções, ilusões, desilusões, descobertas, alegrias, decepções... de carne, osso e sentimentos. Enfim adulta, mas apesar da idade, aquele sonho cor de rosa do "felizes para sempre" me perseguia. Eu via todo mundo namorando e eu só ficava, nada ia para frente. Acreditava piamente que era "impossível ser feliz sozinho" e me achava a mais miserável das criaturas por não ter um namorado. Meu sonho era postar foto de casal no orkut, receber declarações românticas no aniversário de namoro, essa palhaçada toda kkkkk...Fui ter meu primeiro namorado depois dos 20. Foi uma relação bem complexa. Mas foi através dela que me libertei daquele paradigma limitado. Em 2015 completei 24 anos e terminei dois relacionamentos.

A questão é: percebi que casar e ter filhos é uma opção, um estilo de vida, mas que existem muitos outros. E que nem todos se encaixam nesse modelo. Apesar da sociedade nos vender esse "pacotão" como receita da felicidade, basta olhar em volta para ver que é propaganda enganosa. Tem gente casada feliz? Tem. Mas também tem solteira, tem gente que casa e mora em casas diferentes, tem quem só namora, tem gente que troca de namorado com frequência, tem gente que pega o amigo, etc... E eu, que pensava me encaixar no primeiro grupo, fui perceber que esse equívoco era falta de auto conhecimento...

Tive relacionamento longo, médio e curto, e também tive oportunidade de ficar sozinha (depois dos 24 anos, pela primeira vez realmente sozinha, sem nenhum amor platônico inclusive).  Pela primeira vez na vida não desejo estar num relacionamento sério. Não estou solteira por falta de opção, não estou sofrendo, não penso em casar. Realmente estou bem assim. Sei que para quem só é feliz estando em um relacionamento (ou ainda não se libertou do "pacotão") é difícil assimilar a ideia, mas é verdade. 

Essa introdução toda foi para falar de amores líquidos. Já li alguns textos a respeito e em todos o tema era tratado como um problema. Um tipo de decadência nos relacionamentos entre as pessoas. Quase uma doença dos tempos modernos. Meu, pra mim eles são a solução!

Não quero me tornar uma ermitã. Gosto de me relacionar com as pessoas, o que não gosto é do peso do compromisso. Não quero ser cobrada, podada, ter que me preocupar em agradar alguém, em ser a "moça pra casar" e principalmente, não gosto de ser tratada como posse de alguém. Aí vem as pessoas "do bem" (mães, vós, amigas caretas, etc...) e falam: "mas existem caras legais, você ainda vai encontrar um dia e blá blá blá". Já falei sobre isso no texto anterior. Existem mas são exceções. E mesmo que eu os encontre um dia, não é só isso, tem outras coisas que pesam também...
  • Em um relacionamento ambos tem que ceder. Geralmente a mulher cede mais, mas vamos supor que o cara seja "O" cara (e não um machista de merda) e ceda tanto quanto a mulher. Ainda assim terei que ceder meus 50%; 
  • A opinião do outro conta e você não será 100% livre. Por mais liberal que seja, alguma satisfação sempre será de praxe. 
  • Em algum momento cai na rotina, esfria. Por mais que tenha amor e tal, depois de um tempo nunca é igual a primeira semana, onde tudo era "perfeito" sem esforço algum para "manter a chama"...
  • Muitas vezes o seu desejo diminui muito (por N motivos) e o do cara não. Aí começam as cobranças para você "comparecer". Porque se "não der conta", já viu: "vai procurar na rua o que não tem em casa"... aff...¬¬
  • Falando em cobranças... são muitas! 
  • Muitas vezes o outro não entende sua vontade/necessidade de ficar sozinha.
  • etc...
Todas as pessoas que vejo defendendo o casamento e criticando os amores líquidos falam que é preciso ter muita paciência para se manter em uma relação. Que conviver a dois não é fácil. Que é preciso abrir mão de muita coisa. Será que eles já se perguntaram se todo mundo está disposto a isso? Se é algo tão difícil, será que realmente é para todos? Será que não posso querer algo mais fácil e prático? Por que a felicidade tem que seguir o mesmo modelo para todo mundo?

Eu não quero ceder nada, quero continuar sendo quem sou 100% do tempo e fazendo só o que realmente tenho vontade. Gosto das coisas do meu jeito, no meu tempo. Não gosto de cobranças, amo minha liberdade. Adoro ficar sozinha, falar sozinha, sair sozinha... Não sou uma boa companhia o tempo todo. Enjoo das pessoas. Gosto de variar. Gosto de poder ficar com alguém hoje e amanhã talvez não estar mais. Gosto de ficar com alguém quando e se tiver vontade. Gosto de poder escolher. As vezes tenho muita vontade, as vezes não tenho nenhuma. Gosto de respeitar isso. Gosto de dormir sozinha e espalhada na cama (essa história de conchinha é ilusão, pelo menos pra mim nunca funcionou). Muitas vezes tenho preguiça das pessoas ¬¬

Mas, por outro lado as paixões não me deixaram por completo. Sim, ainda tenho sentimentos, desejos, etc. Então,quer melhor forma de me satisfazer do que com amores líquidos? Não importa se duram um dia, uma semana, um mês ou mais... O importante é que dure o tempo que for bom para os dois. É uma forma de se ter praticamente só a parte boa das relações, sem apegos, sofrimentos... 


"A sua história eu não sei, mas me conte só o que for bom" Amor puro - Djavan


Qual o problema das relações não durarem a vida toda? Acho que se acaba é porque hoje as pessoas (principalmente as mulheres) tem opção. Não tá bom? Termina. Tá sendo agredida? Pula fora (e denuncia). Não ama mais? Separa. Quer dar pra outro? Dá. Quer experimentar? Experimenta. Se descobriu homossexual? Se assume. Quer pegar geral? Pega. Quer namorar? Namora. 

As coisas não tem que durar. Elas duram se for para durar, se essa for a vontade de ambas as partes. Ultimamente tenho preferido as que não duram. Tem se encaixado melhor ao meu jeito de ser.
Fazer o que? 

"Eu sou amor, da cabeça aos pés"




Amo, amo AMOOOO esse mini doc:



<3

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

#meuamigosecreto




"Sentadas na mesa de um bar em São Paulo, Djamila Ribeiro vira para mim e outras mulheres negras e diz ''Nessa discussão sobre a solidão que certas mulheres sofrem, chegou o momento de pararmos de nos pautar enquanto preteridas e de começarmos a nos colocar enquanto mulheres que não irão se sujeitar a certas situações nos relacionamentos''.
Essa afirmação tem estado na minha cabeça desde então, porque, sem eu ter percebido, esse fator <sempre> foi determinante em minhas relações ou nas relações que tentei construir.
Nas vezes dei block em rapazes no Tinder, nas inúmeras vezes que recusei rapazes que queriam que eu matasse suas curiosidades, quando acabei meu último namoro por um ciúmes excessivo e por uma chantagem emocional constante, quando aviso que não gosto de me sentir cobrada e/ou ceifada da minha liberdade.
Um novo olhar sobre a solidão que eu vivencio e que outras mulheres também vivenciam está posta:
Sozinhas porque eles muito bem sabem que não iremos nos submeter a ser submissas, a ser violentadas em um relacionamento abusivo e de não termos voz.
Eles possuem medo. Medo da possibilidade de se ver de frente a uma mulher empoderada, dona de si, dona de suas narrativas e que exclui qualquer possibilidade de estar com um homem que reproduza suas "machulências", como dizem minhas amigas mais intimas.
No fim, mainha continua coerente ao me dizer que "Antes só que mal acompanhada"."



A uns meses atrás me deparei com um assunto que até então era novo para mim: a solidão da mulher negra. Eu nunca tinha parado para pensar, mas quando li percebi que faz todo sentido. Quem se interessar vale a pena dar uma pesquisada pois o tema é bem pertinente.

Mas só a alguns dias, quando li o texto acima, foi que me dei conta... sabe quando você sempre soube algo, mas aquilo tava ali meio escondido de você mesmo e de repente, pimba! Cai na sua cabeça. Foi como a Maria disse: "sem eu ter percebido, esse fator <sempre> foi determinante em minhas relações ou nas relações que tentei construir."

Não sou negra. Por mais que eu me identifique com todos os tipos de causas que envolvem pessoas sendo injustiçadas, descriminadas, etc... Nunca irei sentir na pele (pelo menos não nessa vida) o que uma mulher negra sente e passa todos os dias. Acho que ninguém melhor do que quem vive para falar do tema. Eu só leio e aplaudo. Mas sou mulher e vou falar do que eu sei, vivo...

A questão é que a mulher ainda tem muito pelo que lutar na sociedade... Se antes o objetivo era muito claro, pois não tínhamos direito a nada, hoje é tudo muito mais subjetivo e disfarçado. Por exemplo, eu ouço falar de relacionamentos abusivos. Já li textos interessantes sobre o tema, explicando o que é e tal. Mas as pessoas falam como se eles fossem exceção. E o que eu vejo é que exceção mesmo é quando um relacionamento não é abusivo!

As pessoas acham que abusos são apenas os casos extremos de agressão física. Mesmo esses ainda são muito ignorados e aceitos na sociedade. A vítima se torna culpada e o agressor vítima. "Apanhou do marido, algo deve ter feito, aquela vagabunda!" ou "Não adianta chamar a polícia, daqui a pouco tá junto de novo, gosta de apanhar". E o mais triste é que a gente ouve isso da boca das próprias mulheres! 

Se pra violência física é assim, aí você entende porque a violência psicológica nem é citada, ou é tradada como exceção ou algo menos sério...

Nada me tira da cabeça que quase todos os relacionamentos são abusivos, em menor ou maior gral, salvo exceções. E isso acontece porque ninguém se atenta para isso, não se fala sobre, não é visto como um problema real. 

As mulheres são criadas cada vez mais para serem independentes. Eu mesma cresci ouvindo da minha vó (que é dona de casa, sem estudos e sem profissão) e da minha mãe (que é professora mas só estudou porque correu atrás por conta própria) para eu estudar, ter uma profissão, trabalhar para não precisar depender de homem financeiramente. Isso é ótimo. O problema são os homens.

Mesmo depois de todas as conquistas das mulheres os homens ainda tem aquela visão de que somos propriedades deles. Basta estar num relacionamento que já começa: "não aceito que você tenha contato com ex"; "isso não é jeito de mulher falar"; "essa roupa tá curta"; "eu não quero ir e você também não vai". Chantagens emocionais de todos os tipos: "esse passeio com suas amigas é mais importante que nosso amor?"; "se você for estará solteira"; "num relacionamento as pessoas tem que ceder"... Nesse caso, só a mulher é que tem que ceder sempre... 

E assim vai, quando você se dá conta, alguém que você conheceu "ontem" está ditando o que você pode ou não fazer da sua vida. Quando cai a ficha você está lá fazendo coisas que nem curte tanto (ou nem curte nada) só para agradar alguém e deixando de fazer tudo que realmente gosta. Pior: você percebe que está tentando se tornar alguém que não é para se moldar às expectativas que o outro criou de você que quase sempre são de moça boazinha, educada, fina, paciente, compreensiva, amorosa, submissa, sem vontade própria, 100% disponível para fazer o que ele quiser na hora que quiser com você. Ah, mas para não dizer que os machos não tem uma dose de modernidade, hoje em dia eles aceitam dividir a conta numa boa rsrs...

Nesse dia que li esse texto compreendi e aceitei minha solidão. Não adianta me colocar no papel de coitadismo do tipo: "ninguém me quer do jeito que eu sou". É verdade. Para receber carinho e "amor" tenho que ceder à pressões psicológicas, abrir mão da liberdade, me anular... Mas não adianta chorar. Isso não vai mudar a realidade. O fato é que pouquíssimos homens estão preparados para lidar com mulheres empoderadas, que se conhecem, sabem o que querem e o que não querem, que não aceitam ser podadas e não mudam seu jeito de ser para agradar ninguém. 

O erro não está em nós sermos do jeito que somos, como a sociedade a todo tempo tenta nos convencer. O erro está em aceitar que homem é assim mesmo e que temos que nos sujeitar a tudo para ser uma boa esposa, namorada... Pois isso é o que esperam de nós, né? Podemos trabalhar, podemos estudar, mas se não nos casarmos um dia e não tivermos filhos... Ah não, aí não temos valor...

E nós, inconscientemente reproduzimos esse pensamento em nossas vidas. Eu mesma, achava que precisava de um namorado pra ser feliz. Sofri em relacionamentos abusivos até perceber que precisava me amar. Tive todo um processo de auto conhecimento, amor próprio e empoderamento. Decidi que só daria uma chance para alguém que me valorizasse. Mas percebi que mesmo aqueles que se dizem românticos na verdade só querem alguém que caiba naquele modelinho que citei antes. Foi aí que me dei conta de que se não quisermos viver esse tipo de relação, que é a regra, temos que aceitar a solidão e ter consciência de que as exceções existem, mas são exceções... 

Ficar só é uma forma de resistência. É não aceitar o machismo velado. Ao contrário do que diz o popular, não é por causa de uma linguiça que vou levar o porco inteiro (me desculpem os porcos).


sábado, 26 de setembro de 2015

Pensamentos nobres, rimas (rimas?) pobres

Relembrar é viver... Na época, há 4 anos atrás, eu simplesmente vomitei essas linhas e meio que as desprezei... Só para não descartar, joguei aqui... Ainda bem! Hoje eu gosto... A vida tem dessas coisas...


E é assim que vou vivendo, me achando e me perdendo
Em meio a melancolias e euforias...
Não sei ser de outro jeito... sou tudo de mim em tudo que sou...
Até o dia em que não será mais nada... nada pra mim
Assim como já foi um dia... já vi esse filme
E se o final não é feliz é pelo menos conhecido...
Como um filme, que apesar de saber como termina sempre arranca algumas lágrimas...
Lágrimas que rapidamente se secam quando este acaba, e depois nem se lembra mais...
Não sei se é bom ou ruim ser assim... ser tudo tão intenso, no início, no meio e até no fim...
Por mais que nem existam tais definições, separações, determinações...
Um escritor, por mais amador, sempre pensa tudo como se fosse uma história...
Mas ao contrário das historinhas não procuro um final feliz... pois finais são sempre tristes...
O feliz é o enquanto, o durante, o instante...
É tranquilidade, é paz de espírito... é cansaço de corpo e descanso de mente...
É cansaço de mente e alívio de dever cumprido..
É acordar cedo e dormir tarde...
É dormir tarde e acordar tarde... muito tarde
É fazer algo imoral e prazeroso...
É comer sem culpa...
Culpa?
Não conheço essa palavra...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ser você

"Tira a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser

Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer, consciente, inconsequente
Sem se preocupar em ser adulto ou criança
O importante é ser você

Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja"

Pitty - Máscara


Essa música pode parecer meio batida, eu pelo menos nos meus 15 anos ouvia sempre mas nem me tocava da profundidade que essas estrofes carregam... Nessa época eu achava que ser você era simplesmente se vestir de acordo com o "seu" estilo, ouvir as músicas que você curte mesmo que não sejam as mesmas dos seus amigos, não seguir uma religião só porque todo mundo que você conhece segue... Bom, isso era um começo, não ser um maria vai com as outras já é alguma coisa, mas hoje vejo que ser você é bem mais que isso...
Quantas vezes admiramos pessoas por suas ideias, pelo que demonstram ser em público, pela imagem que transmitem mas quando temos a oportunidade de ver mais de perto percebemos que muito do que se fala é contradito por suas atitudes?
Pior, quantas vezes criamos uma imagem dessas pessoas e lutamos a todo custo contra nossa própria percepção para não ter que enxergar a realidade que está ali, bem na nossa frente, de que ela não é aquilo tudo que diz ser ou que nós idealizamos?
Eu sei que ninguém é perfeito, todo ser humano está sujeito a erros... O problema é quando a própria pessoa não se aceita como é e constrói uma falsa imagem de si mesma e passa essa imagem para a frente como sendo legítima. Por que ela faz isso? Por ser má e querer enganar um monte de gente? As vezes sim. Mas as vezes é por insegurança. Medo de decepcionar. Medo de não ser aceito. É um ciclo vicioso pois a sociedade exige "perfis de tv", pessoas perfeitinhas, relacionamentos felizes, famílias doriana, belezas impecáveis (a todo custo corrigidas por maquiagem, cirurgia plástica ou photoshop), pessoas politicamente corretas, etc... Muitas vezes reproduzimos esse comportamento de tentar mostrar perfeição sem que isso seja consciente, ainda mais na era da informação onde tudo está na rede em tempo real... Só que isso não existe... E muitas vezes as pessoas fazem uma escolha: ou me adéquo ao que tá posto (finjo ser o que não sou) ou não serei ouvida...
Sei que para mudar algo só de dentro pra fora, então para lutar contra o sistema é preciso usar de suas próprias artimanhas para combatê-lo. O problema que vejo é que a maioria das pessoas quando chega , a ponto de ter força e voz para mudar alguma coisa, acaba se acomodando com o conforto de se estar lá. Aí o discurso anterior passa a não fazer mais tanto sentido, pois coloca em risco a manutenção de seu status. O discurso continua, pois de certa forma foi o que levou a pessoa a tal posição, mas para não ser constrangedor demais ele passa a ficar cada vez mais morno, distante e confuso... Pois a própria pessoa não consegue mais crê-lo... Pois critica o que ela própria se tornou... Alguns nem percebem tal ironia e seguem admirando cegamente... Pois a verdade que a pessoa põe na mentira as vezes convence muito mais que uma verdade pura... Como já foi dito, a sociedade adora uma maquiagem.
O problema não é ter defeitos, é não assumi-los e viver uma mentira. Todos temos nosso lado obscuro, aquilo que não aceitamos em nós mesmos, que vai contra nossos próprios princípios éticos e morais, por isso evitamos expor até para nós mesmos, ainda mais para os outros. Mas o problema é que esse lado mais cedo ou mais tarde se manifesta, querendo ou não, principalmente quando é reprimido, uma hora ele tem que sair de algum jeito...


Eu não espero a perfeição de ninguém, pelo contrário! Se pudesse só pediria uma coisa: não seja hipócrita. Seja coerente. Não precisa ser herói, seja só você mesmo, seja honesto! Deixe as pessoas escolherem se gostam de você ou não baseados em quem você é, não em uma imagem pintada de você. Você não é RESPONSÁVEL pelo que os outros pensam, fazem, vivem... A sua única responsabilidade nesse mundo é com você mesmo! Então, simplesmente SEJA! Não caia nessa de ser exemplo pois um dia sua máscara pode simplesmente cair, e aí? 
Não precisa expor sua intimidade para isso... Basta parar de criticar aquilo que você mesmo faz. Simples assim. Falar qualquer um fala... Será que se vive aquilo que se prega? Se não vive, não pregue.
Ou continue sendo hipócrita, é questão se escolha. Só lembre-se que nesse mundo nascemos sozinhos e partiremos sozinhos também... Do que adianta atender às expectativas dos outros e se frustrar consigo mesmo? Paz interior não tem preço.


"Só quando eu sinto a liberdade de ser eu
Corpo, mente, alma, coração
Podem ser seus"
Chimarruts - Sinto a Liberdade

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Me representa?

Depois de anos de omissão, uma das primeiras coisas que retomei em minha vida foi o ato de escrever... Inclusive, ele muito me ajudou no processo de "volta". A escrita sempre foi a forma em que eu melhor consegui desabafar e transmitir o que penso. Parar de escrever representou para mim deixar de me expressar, e isso foi uma estagnação de anos... Mas devagar estou retomando esse hábito e finalmente tomei "coragem" (lê-se: vergonha na cara) para voltar oficialmente... Eu já estava escrevendo em outro espaço sobre um assunto específico, mas sentia necessidade de voltar ao meu "habitat natural" e falar sobre outras coisas. Pois eu sempre gostei de falar sobre muitas coisas, dar a minha opinião sobre o que vejo no mundo...


"...eu quero que a minha voz seja ouvida. Não por vaidade, ou achar ela bonita. É porque eu carrego no peito a esperança de melhores dias" Criolo (Cerol)


Pensei muito se voltaria a escrever aqui ou se deveria ir para outro espaço, pelo fato da última postagem ter sido a muito tempo e por opiniões contidas nela (e em outros textos) não me representarem mais. Mas aí me veio: o que sou eu, senão uma junção de várias coisas desconexas que se conectam, se completam e se contradizem... uma colcha de retalhos, sendo cada experiência, cada vivência, cada fase, cada decepção, cada dor, cada vitória uma parte de mim? E tudo isso é responsável pela minha construção como ser. É claro que algumas coisas foram ficando para trás (thanks for gosh, né?), mas em algum momento foram importantes para a formação de mim mesma...

Eu sempre fui muito emoção. Então meus textos muitas vezes eram lavação de roupa suja interna... Era uma forma de desabafo, nem sempre justa, mas era o modo que eu encontrava de botar pra fora toda aquela angústia que era só minha. Muitas vezes estava sendo imatura, egoísta, destrutiva, revoltava... Mas na maior parte do tempo era só fuga mesmo...


"Quero salvar o mundo, pois desisti da minha família e numa luta mais difícil a frustração vai ser menor". Emicida (Hoje cedo)


Primeiro eu queria mudar o mundo, daí o nome do blog. Sim, eu sentia dentro de mim um incômodo tremendo por ver as coisas do jeito que são e não fazer nada. Desigualdade social, fome, guerras, miséria, violência, preconceito... A minha angústia por não poder fazer nada me motivava a escrever. Só que eu não percebia que isso era uma forma de fuga também... Queria abraçar o mundo e esquecia justamente de mim. Esqueci de me amar. Jesus falou: "ama o próximo como a ti mesmo". Como a TI mesmo. Não ama o próximo e esquece de ti... Pois se não aprendeu nem a se amar como amar o próximo? Como dar algo que não se tem? Como dar o próximo passo, sem antes dar o primeiro?

Então veio a dificuldade que resultou dessa anulação e a treta foi grande... Tão grande que perdi o gosto de lutar pra salvar o mundo, mas fiz de uma pessoa o meu mundo e minha missão passou a ser mudar ela... kkkk... Ou seja, continuava procurando fora o que só podia encontrar dentro!

Teve uma hora que meu sofrimento estava tão grande que eu sentia raiva do mundo. Eu me sentia traída. Tipo assim: "caramba mundo, eu sempre me compadeci de todas as suas dores, sempre quis ajudar todo mundo e agora que tô sofrendo não aparece ninguém pra me ajudar? Mas também, um bando de tapados que não ajudam nem a si próprios... São explorados e ainda defendem seus opressores. Tem mais é que se fu*** mesmo. Eu é que não vou mais gastar meu tempo tentando ajudar quem não tá nem aí pra mim". Foi bem isso meu ultimo texto: Até

Percebo que eu já tinha noção da minha visão deturpada (claro, com uma visão exacerbadamente pessimista, menosprezando experiências que tiveram determinada importância em momentos da minha vida), mas invés de encarar de frente o problema acabei trocando seis por meia dúzia... kkk

Hoje eu sei que não mudamos nada de fora pra dentro, mas só de dentro pra fora. Se eu mudo, o mundo muda. Se invés de fechar a cara eu escolher dar um sorriso isso já pode mudar o dia de alguém, principalmente o meu.


"Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou. Acho que só eu mesmo mudei, e voltei." Roberto Carlos (O portão)


Antes eu me sentia frustrada pois estava esperando o proletariado de todo o mundo se unir para começarmos a revolução. Depois me frustrei pois esperei que alguém correspondesse a expectativas que criei baseadas em idealizações da minha cabeça. Alguma semelhança nisso??? Total né... Em ambos os casos ESPERAR DOS OUTROS. Só uma coisa sobre isso: NÃO ROLA!

Hoje escolho mudar apenas o que eu posso: eu mesma! E não mudar para ser aceita ou agradar "OZOTO". Mas única e exclusivamente para ser feliz.

"Óh! Isso é egoísmo!"

Só uma coisinha: onde é que já se viu pessoas tristes e deprimidas mudando alguma coisa? Ajudando alguém? 

 


É claro que nem sempre a vida nos permite sorrir, mas convenhamos: gente infeliz não muda o mundo (nem p**** nenhuma). A linha entre a sanidade e a loucura humana é muuuito tênue. Para se fazer algo de bom para o mundo você tem que estar muuuito bem consigo mesmo, senão não dá conta. Até porque você estará nadando contra a corrente, enfrentando interesses de quem quer manter a "ordem", e isso desperta  fúria e perseguição. Como dar conta de uma bucha dessas se você for seu próprio inimigo interno? Ser infeliz é a maior auto sabotagem que se pode cometer...


"Sem GPS pra vitória cada um faz seu destino!" 
Criolo (Plano de voo) 




quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Eu voltei




"Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei

Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei

Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei

Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo o meu passado iluminei
E entrei

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei
E eu falei

Onde andei não deu para ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém à minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei

Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei

Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei
Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei
Eu parei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo"

( O Portão - Roberto Carlos)

Essa música fala por si só, traduz exatamente tudo que estou sentindo... Mas vamos lá...

É isso aí: eu voltei... Pras coisas que deixei, pra Ellen que deixei largada em algum canto há um tempo atrás... Onde andei não deu para ficar, pois para estar lá eu não podia existir, não podia ser Eu... Nos lugares em que passei só havia escuridão, era cego guiando cego e viva a lei do mais fraco... Sim, do mais fraco, pois ao admitir-se fraco sugava-se o mais forte, que por sua vez se tornava também fraco... Canibalismo emocional, inconsciente, consciente... Guerra de egos, de posses, de dores. E assim foi, até que alguém cedeu. O mais fraco? Não. O mais cansado... Cansado de sofrer em vão e nada mudar... As maiores transformações acontecem justamente quando a gente cansa. Nunca ignore o seu cansaço sobre determinada coisa, ele pode estar querendo lhe dizer algo... Ouça. Sinta. Respeite seu limite. Cada vez que você desrespeita seu limite ele se estica, feito elástico, e se torna um pouquinho maior. "Acho que posso aguentar um pouco mais", e assim vai... Só que como todo elástico, uma hora se arrebenta. E foi isso que aconteceu comigo: me arrebentei. Mas me arrebentei feio! E isso foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos. Não estou dizendo que para melhorar tem que sofrer. Isso é só para os trouxas. É totalmente possível aprender sem sofrimento, mas isso é só para aqueles que entenderam isso... E quem é que não é trouxa nessa sociedade em que vivemos? Poucos... 
Mas então, eu voltei... Voltei para ficar, pois aqui... Aqui é meu lugar. Aqui no blog? Pode ser... Mas principalmente aqui, dentro de mim. No protagonismo da minha vida. Eu nem sabia que dava para voltar. Não sabia mais quem eu era. Estava tão apegada à dor que já me confundia e muitas vezes pensava que eu era ela, que ela era eu... Então o apego se foi, a dor se foi... E agora??? Quem eu sou? Será que ainda sou alguém? Pra minha surpresa lá estava Eu, de braços abertos me esperando... Sim, Eu! Como foi bom encontrar com Eu de novo! Era a mesmo de anos atrás, mas diferente... Tinha o mesmo coração, mas por fora carregava em si as marcas do tempo. Mais que isso, as marcas do abandono... Mas mesmo assim, Eu sorria pra mim e dizia: "está tudo bem... agora que finalmente nos reencontramos vai ficar tudo bem". Eu via o mal que fiz à Eu, mas ela não me permitia sentir tristeza ou culpa... Ela dizia que essa marcas são para lembrar de tudo que aprendi até aqui e para não cometer os mesmos erros. Estava tão feliz de estarmos juntas novamente que de repente me dei conta de como Eu era bonita... De como era grande... Engraçado, nunca tinha reparado nisso antes... Ao me dar conta, olhei pra frente e vi infinitas possibilidades se abrindo...
Como é bom voltar para si. Como é bom se reconciliar consigo mesmo. Como é bom se amar!
Você pode ser o que quiser, desde que seja você...
Você pode amar quem quiser, pode até amar o mundo inteiro, desde que se ame primeiro... Pois só se dá o que se tem...
E hoje eu me tenho. Sinto amor. Amor de amar. Amor a mim. 
Onde Deus entra nisso tudo? Não o velhinho de barba branca... Lembra da Eu? Pois é...


"Na praia Jesus me carregou no colo. Só vi um par de pegados, não entendi o óbvio. Que o fardo não é maior do que eu possa carregar. Se a vida é um jogo então, vamo ganhar!" 
Criolo