quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tristeza, raiva e indignação

Não gostaria que esse blog se tornasse um meio de retratar só coisas tristes, mas não posso deixar de escrever sobre o que vejo e, principalmente, sobre o que sinto. Domingo, dia 07 de fevereiro, estava assistindo o Fantástico quando uma reportagem me marcou profundamente (e digo isso sem medo de parecer ridícula). Em 2007 o programa havia mostrado a história de Alcides do Nascimento Lins, um jovem pobre, filho de catadora de lixo e que graças a essa mãe batalhadora e ao próprio esforço e inteligência, passou no vestibular da UFPE, universidade federal, uma das mais concorridas do país, para o curso de biomedicina. Senti-me tão bem ao ver uma pessoa humilde conseguindo vencer essas barreiras da injustiça social e, mesmo sabendo se tratar de uma exceção, prestes a mudar de vida para melhor. Mas fiquei paralisada de tristeza, raiva e indignação quando mostraram o que aconteceu com ele. Dia 05 de fevereiro a vida desse jovem honesto, batalhador e cheio de sonhos foi abruptamente interrompida levando dois tiros na cabeça em frente de casa. O motivo? Os dois bandidos procuravam outro rapaz, também morador da comunidade onde vivia e, como não o encontraram, atiraram em Alcides e foram embora. Foi isso que mais me perturbou: se ele tivesse sido confundido ainda seria inaceitável, claro, mas terem matado simplesmente por que não encontraram o outro?! Isso é mais que um absurdo! Acabar com a vida de uma pessoa totalmente inocente, sem motivo algum!
Sei que isso, infelizmente, acontece todos os dias. Muitos inocentes são mortos friamente, mas mesmo assim, não consigo entender como alguém pode ser tão cruel! Como? Por quê? Por que justo ele, que venceria na vida e poderia ajudar sua mãe? Por que justo essa mãe, que contrariou todas as previsões e conseguiu colocar dois filhos em universidades federais (a irmã de Alcino também passou na UFPE esse ano), tinha que passar por essa tristeza sem tamanho que é perder um filho? Não sei, nunca saberemos. Muitos podem dizer que isso é plano de Deus ou destino, mas só consigo dar um nome a isso: INJUSTIÇA. Não só social, pois essa Alcino conseguiu vencer, mas injustiça da vida (do destino, de Deus, seja o que for).

A pequenez humana diante da fúria da natureza


Estive ausente desse blog por um tempo. Não por falta de assunto, afinal durante esse tempo ocorreu a tragédia no Haiti. Resolvi não escrever sobre, pois simplesmente não tinha nada a acrescentar. Estava tudo lá nos jornais impressos e televisivos, todos os dias, a tristeza e miséria daquele país estampadas por todos os lados. Um povo tão sofrido enfrentando a fúria da natureza como uma pobre árvore seca e frágil enfrenta a força de um furacão. A vontade que senti foi de ir pra lá ajudar. Não sei nem o que eu seria capaz de fazer para ajudar alguém, mas a vontade que tive era de estar lá, talvez só para não me sentir tão inútil, vendo tudo de camarote no conforto de casa.
Não foi apenas no Haiti que a natureza mostrou sua fúria. Aqui no Brasil tivemos várias amostras disso. Em Angra dos Reis a terra desceu juntamente com a água arrancando tudo que encontravam pela frente: tanto os barracos de pessoas simples quanto hotéis e casas de luxo. Mas antes de Angra tomar o lugar nos noticiários a Baixada Fluminense foi cenário de inundação. Eu estava lá em Duque de Caxias e presenciei. Ao contrário do que eu queria fazer no Haiti, que era ajudar, fui ajudada. Eu e minha família passamos a noite na casa de pessoas que nem conhecíamos, mas que são amigas dos parentes em que estávamos na casa deles. Seremos eternamente gratos por essas pessoas que nos acolheram com tamanha boa vontade.
Falando de catástrofes, em São Paulo esse início de 2010 não está sendo fácil. As chuvas têm castigado não somente a capital, mas também várias cidades do interior paulista. Janeiro deste ano registrou a maior marca em volume de chuvas para o mês desde 1947, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) - foram 480,5 milímetros de chuva contra 481,4 mm há 63 anos. Além disso, só nos quatro primeiros dias de fevereiro choveu 60% da média histórica para o mês na capital. As consequências disso todos sabem: enchentes, desabamentos, mortes, pessoas desabrigadas, aulas atrasadas, doenças transmitidas pela água de enchente...

Para pensar:
“Como podemos ser tão arrogantes? O planeta é, foi e será sempre mais forte que nós. Não podemos destruí-lo; se ultrapassarmos determinada fronteira, ele se encarregará de nos eliminar por completo da sua superfície, e continuará existindo. Por que não começam a falar em ‘não deixar que o planeta nos destrua’? Porque ‘salvar o planeta’ dá a sensação de poder, de ação, de nobreza. Enquanto ‘não deixar que o planeta nos destrua’ é capaz de nos levar ao desespero, à impotência, à verdadeira dimensão de nossas pobres e limitadas capacidades.”

Trecho do livro O vencedor está só, de Paulo Coelho.