terça-feira, 21 de junho de 2011

Inspiração...

20 de junho de 2011
Flávia Calé, presidente da UEE-RJ: “Quero ser militante para a vida inteira, para mim não existe separação”

Na entrevista a seguir você vai conhecer um pouco mais sobre a atual presidente da UEE-RJ e sobre a sua gestão.


A estudante de história da UFRJ, Flávia Calé, 27 anos, trocou a diretoria da UNE pela presidência da UEE-RJ em 2009, quando foi eleita com 79% dos votos no 15º Congresso da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro. A carioca, que nas horas vagas gosta de cair no samba ou dançar forró, sempre se interessou pelo movimento estudantil .

Nos próximos dias 24 a 26 de junho acontecerá em Volta Redonda o 16º Congresso da UEE-RJ, quando uma nova diretoria será eleita para a UEE RJ. Flávia já lança alguns desafios para a gelara que vai assumir: “Queremos ter uma sede. Isso a nossa gestão não concretizou, mas a próxima vai fazer isso. Também precisamos de instrumentos que dêem suporte ao movimento, muitos deles são ferramentas jurídicas, como criar uma ouvidoria. Isso está na boca do povo, e acho que a próxima galera vai conseguir tocar”.

Flavia fecha sua gestão com uma conquista importante para o movimento estudantil: foi sancionada no último dia 5 de maio um projeto de lei que garante a meia passagem de ônibus para estudantes universitários bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e cotistas beneficiados pelas políticas públicas afirmativas.” Esse era um sonho de muitas gestões, e também uma primeira obsessão minha”, comemora.

Na entrevista a seguir, a estudante botafoguense comenta como é ser mulher na política, explica qual é, para ela, a importância de desenvolver a espiritualidade, e qual é a relação disso com a política, fala sobre militância pelas mídias sociais, conta o que gosta de fazer nas horas vagas e qual é seu maior sonho.

Quando começou a militar, na 8ª série, imaginava que chegaria à Presidente da UEE do Rio de Janeiro?Nunca! Eu entrei para a universidade, fazia movimento lá.  Em 2006, a chapa que eu participei foi eleita para o DCE da UFRJ. Depois disso, eu fui eleita pra executiva da UNE. Aí, em 2009, fui eleita presidente da UEE aqui do rio.
Como você vê a descriminalização da mulher na política? Existe?Existe demais. Eu atuo num ambiente de uma sociedade extremamente machista, de não enxergar a mulher no espaço público. As conquistas das mulheres no mercado de trabalho e na política são recentes.

Já passou por alguma situação desse tipo?Eu acho que às vezes acontece de alguém falar mais alto comigo por eu ser mulher. Os casos mais sutis talvez sejam os mais graves.  Encontramos dificuldades, mas elas não são insuperáveis. Cada vez mais temos avançado. Nas Universidades as maiorias são mulheres, e, em minha opinião, esse é um fator importante também para podermos pautar nossas bandeiras de luta.  Por que não debater a implantação de creches nas universidades? Não falamos de políticas especificas para mulheres. Ter uma presidente mulher nos ajuda nesse sentido, mas acho que nós vamos conseguindo superar e mostrar nossa capacidade no dia a dia.

Quais eram seus principais objetivos quando assumiu e como você avalia a sua gestão? Quando assumi,  tinha duas metas: conquistar a meia passagem, que sempre foi um sonho de muitas gestões e minha primeira obsessão; e fazer com que a UEE fosse uma entidade protagonista na política aqui do rio de janeiro. Acho que foi uma gestão muito vitoriosa.

Você acha que os jovens de hoje são desinteressados por política?Acho que a gente compete com uma ideologia que é muito forte:  a ideologia do individualismo, reforçada o tempo inteiro pela mídia e pela nossa educação. Primeiro resolver o meu para depois resolver o dos outros. Mas um fato é que a juventude é sempre protagonista das grandes transformações. Os jovens sempre estão inconformados, por isso há mais espaço para nos organizarmos. As mudanças que acompanham o nosso país tiveram a nossa participação. Acho que a juventude está antenada, sim, e acho que nos temos o papel cada vez maior de organizar mais gente. Não é a toa que a UNE e a UEE estejam mais fortes.

Qual a sua opinião sobre a militância nas redes sociais?Acho que nada substitui a fórmula que temos historicamente, que é ocupar as ruas, passar de sala em sala, enfim, dialogar. Nada substitui isso. Mas eu acho que as redes sociais são um fator importante e que elas agregam muito às nossas lutas porque ampliam a nossa capacidade de falar para mais gente. A imprensa hoje tem sido um grande bloqueador. Nós não temos brechas, ou poucas brechas para divulgar. Em geral a mídia tem um papel contra nós. Contra os movimentos sociais. Tentamos buscar brechas para ter uma contra argumentação. Temos uma rede de blogs e estamos nesse espaço. De alguma maneira, isso tem formado opinião na sociedade.

Tem alguma pessoa que seja uma referência, uma inspiração para você?Tem muitas pessoas que no dia a dia vão ajudando a gente. Uma figura que me inspira muito é o João Amazonas, que foi Presidente do PCdoB, ele foi um cidadão que todas as lutas que o Brasil teve, da resistência à ditadura, foi um parlamentar na década de 40, que participou dos grandes processos de transformação do país. Ele conseguiu apontar rumos para o movimento socialista no Brasil e deixou um legado muito importante.

O que você pensa sobre política e religião?Eu tenho uma ligação muito forte com a umbanda, que também é muito forte na cultura do Brasil. O que eu penso sobre isso é que nós enfrentamos muitos desafios no nosso cotidiano, assim como no dia a dia da política. Ter uma religião ajuda a nos fortalecer como pessoas. Mas eu acho que a questão espiritual não é importante na vida pública, mas individualmente é importante, nos fortalece muito. É como conseguimos fortalecer o nosso espírito.
 

(...)

Qual é o seu maior sonho? Acho que sonho é o que nos move. Nós acordamos todo dia, levantamos, militamos, fazemos nossa luta política por que acreditamos que através da nossa atuação podemos transformar o mundo. Eu sou socialista, acredito que podemos construir um Brasil de mais igualdade, menos descriminação. Esse é meu maior sonho, um país melhor.

E fora da política?Eu quero ser professora universitária, atuar na minha universidade, a UFRJ. Eu quero ser militante para a vida inteira, para mim não existe separação.  Onde quer que eu esteja atuando, quero ser militante. Isso e uma opção cotidiana, pra vida toda. Eu quero poder despertar esse sentimento em outras pessoas. Como podemos buscar na história desvendar os desafios do presente.

Quando acabar o seu mandato, o que vai fazer?Não faço a mínima idéia, mas acho que eu vou ter um mês descansado, pensando em nada, na praia, ouvindo forró.  Depois vou estudar para o mestrado.

 
Da Redação
http://www.une.org.br/home3/movimento_estudantil/movestudantil_-_2010/m_19719.html

domingo, 5 de junho de 2011

Marcha da Maconha é proibida no DF e vira ato por liberdade

Com a Marcha da Maconha proibida em Brasília, cerca de 150 manifestantes, aos gritos de "Pamonha!", se depararam nesta sexta-feira (3) com 12 carros e quatro micro-ônibus da Polícia Militar, enviados para reprimir e dissolver a manifestação.

"Estamos sendo reprimidos pela possibilidade de um crime que sequer foi cometido", protestou o advogado do movimento, Mauro Machado.

Após a proibição ter sido anunciada pelos policiais, os representantes da manifestação contestaram a decisão e obtiveram a permissão de realizar um ato pela liberdade de expressão.

Cerca de 15h30, os manifestantes se concentravam frente à catedral de Brasília para refazer os cartazes que tinham menções à maconha.

Ficou combinado com a polícia que os cartazes passarão por uma triagem e então o ato deve ser liberado. O protesto sairá da catedral e seguirá até o Congresso Nacional.

A Marcha da Maconha foi proibida pelo desembargador João Timóteo de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que alegou que ela é uma "apologia às drogas".

Com informações da Folha de S.Paulo

www.vermelho.ogr.br

Opinião da blogueira: que legalizem logo, afinal de contas quem quer usar já usa, quem quer vender já vende. Só que invés de contribuir para a criminalidade o usuário passaria a contribuir com o país, pagando impostos e tudo mais... Ficaria mais fácil de adquirir? Sim, apesar de já não ser difícil. Isso faria com que mais gente usasse? Talvez sim, talvez não, pois provavelmente ficaria mais cara.