sábado, 12 de dezembro de 2009

Decretos de Natal


Não tenho nem o que dizer a respeito desse texto lindo. Basta ler, se admirar e refletir.


Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos faremos presentes junto aos famintos, carentes e excluídos. Papai Noel será malhado como Judas e, lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do Menino Jesus.


Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves; trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais; renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis; e se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e chinelas.


Fica decretado que cartas de crianças só as endereçadas ao Menino Jesus, como a do Lucas, que escreveu convencido de que Caim e Abel não teriam brigado se dormissem em quartos separados; propôs ao Criador ninguém mais nascer nem morrer, e todos nós vivermos para sempre; e, ao ver o presépio, prometeu enviar seu agasalho ao filho desnudo de Maria e José.


Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus.


Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor.


Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecendo ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão. Finita, a vida é um rio que sabe ter o mar como destino, mas jamais quantas curvas, cachoeiras e pedras haverá de encontrar em seu percurso.


Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza.


Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seus custos convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal do empregado que a serve.


Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar o “Pai Nosso” se o pão também não for nosso, mas privilégio da minoria abastada.


Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do prato vazio de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços.


Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém.


Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem-terra, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança.


Frei Betto

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ahmadinejad


O presidente Lula firmou um acordo entre Brasil e Irã durante a visita do polêmico Ahmadinejad ao nosso país. O Brasil passou a apoiar que o Irã tenha maior liberdade de trabalhar no enriquecimento de urânio para obtenção de energia e o Irã a defende que o Brasil tenha uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU (para mais detalhes: http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=22694306). Durante tal visita só se ouve comparações entre o presidente iraniano e Hitler, acusações de terrorismo e homofobia, entre outras ofensas. O que eu penso a respeito disso se resume em uma só palavra: HIPOCRISIA. Ele bem que se encaixa na maioria das acusações, mas "pera lá"! Odeio injustiças e penso que crucificar uma pessoa e se fingir de cego diante do que tantos outros fazem é muito injusto. Para deixar bem clara minha opinião, debaterei os pontos mais importantes sobre o assunto.

1º A VISITA: O Brasil mantém relações diplomáticas e parceria comercial com o Irã. O país têm influência no mundo árabe e nós brasileiros precisamos desse importante mercado. Trata-se de um jogo de interesses, coisa banal na política. Fazer protesto não vai mudar isso.

2º HOMOFOBIA: Sou a favor que cada um tenha o direito de viver como quiser, sou contra qualquer tipo de preconceito. Mas os homossexuais tem que entender que duas das maiores religiões do mundo condenam a orientação sexual deles: o cristianismo e o islamismo (sem falar no judaísmo que, tratando de interesses políticos, até se esquecem disso). A Bíblia é bem clara: segundo ela, homoxesualismo é pecado e ponto. Portanto, acredito que os gays devem lutar pelos seus direitos sim, mas querer que todo mundo tenha mente aberta, infelizmente, é impossível. Isso bate de frente com religiões e não existe nada que influencie tanto a maneira de pensar das pessoas como as religiões. Se fossem lutar contra todos que consideram o homossexualismo algo errado o Papa seria considerado homofóbico e a maioria dos cristãos que tem a Bíblia como verdade inquestionável também. O problema é que no caso do Irã e de outros países do Oriente Médio a religião se mistura (e muito) à política, resultando em ditaduras ultra-conservadoras que ferem os direitos individuais.

3º DIREITOS HUMANOS: Nessas ditaduras, como em qualquer outra, não se respeitam os direitos humanos. Se o comportamento de alguém vai contra o governo (e, no caso, contra o islamismo)a pessoa pode sofrer qualquer tipo de punição que o ditador determinar, inclusive a morte. No Irã é assim, no Brasil foi assim durante o regime militar. Quantas pessoas estão desaparecidas até hoje... Na realidade, nenhum país do mundo cumpre com a declaração dos direitos humanos, nem o todo poderoso Estados Unidos. Teoricamente todos os seres humanos tem direito à vida e isso inclui não apenas a "liberdade" gerada por nosso democrático capitalismo, mas também alimentação, assistência à saúde, educação de qualidade, terra, habitação... Ítens básicos para a sobrevivência de um ser humano, no entanto muitos não tem acesso a eles.

4º TERRORISMO: Depois do atentado de 11 de setembro as palavras "árabe" e "muçumano" viraram sinônimos de "terrorista". Porém, assassinatos em larga escala não recebem o mesmo nome quando realizados por outras etnias. Quem é (ou foi) mais terrorista, digamos assim, Ahmadinejad, Osama, Hitler ou Bush? Eu não sei, pois penso que qualquer pessoa que derrama sangue humano inocente é terrorista, seja esse sangue judeu, árabe, cristão, índio, ateu...
O terrorismo do Oriente Médio é uma reação que mata muitos inocentes. Mas é preciso entender que é uma reação à ações que também mataram muitos inocentes.

5º HOLOCAUSTO: É inegável. Ele aconteceu e foi horrível. Mas concordo com Armadnejad em uma coisa: também sou contra a criação do estado de Israel. sempre achei um absurdo a idéia de expulsar um povo de seu país para criar um país de judeus. Seria o mesmo que expulsar os brasileiros daqui para que nosso país volte a ser habitado pelos índios, apesar de nós não termos culpa das sacanagens que os portugueses fiseram com eles no passado. Na verdade a criação de Israel, assim como todas as decisões tomadas pelo homem, foi totalmente motivada por questões políticas e econômicas, sendo o holocausto apenas a justificativa ideológica, ou seja, um pretexto. O movimento sionista foi duplamente injusto: além de tirar pessoas inocentes de seus lares, não respeitaram a divisão estabelecida pela ONU, aproveitando da inferioridade econômica e militar dos Palestinos. Depois os Palestinos tentam reagir e são chamados de que? TERRORISTAS!

Poderia continuar escrevendo sobre o assunto por horas, mas por hoje basta. Digo e repito: não estou defendendo Ahmadinejad, mas sim criticando o ponto de vista da mídia e da sociedade que tende a ser tão preconceituoso quanto o próprio presidente do Irã.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aqui na terra tão jogando futebol...



A música é uma crítica á ditadura militar. Felizmente, desse mal não perecemos mais, mas ainda pode-se dizer que "a coisa aqui tá preta". Tem "muita mutreta pra levar a situação, que a gente vai levando de teimoso e de pirraça" e "a gente vai se amando que, também, sem um carinho ninguém segura esse rojão".


Meu Caro Amigo

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque / Francis Hime

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um
segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

domingo, 15 de novembro de 2009

"O Rio conseguirá vencer o crime antes das olímpíadas?"


Essa pergunta feita pela revista Time está longe de ser respondida, mas a corrida contra o tempo para que a resposta seja sim já começou. Tratando-se de um evento de tamanhas proporções, a violência no Rio de Janeiro deixa de ser um problema nacional e atinge escala mundial. Se por um lado conquistou a "honra" de sediar os jogos vencendo de países do 1º mundo como Estados Unidos e Japão, por outro tomou para si a enorme responsabilidade de fazer da cidade um lugar mais seguro. Bandidos derrubando helicópteros policiais a cerca de 2 milhas do Maracanã é um exemplo de situação inaceitável e que não deve se repetir daqui a sete anos de jeito nenhum.
O governador Sérgio Cabral já sente o peso da responsabilidade e está tomando medidas para reverter esse quadro. No decorrer da história houveram várias tentativas de transformar o Rio. A primeira aconteceu por volta de 1808, quando Dom João e a corte portuguesa fugiram para lá. Morros foram literalmente arrancados do cenário,brejos soterrados, leis foram estabelecidas contra a "desordem" dos escravos e até janelas das casas tiveram que ser trocadas. Tudo para deixar a cidade com cara de capital européia. Mais tarde Rodrigues Alves cismou que os cortiços que ocupavam o centro do Rio de Janeiro deveriam ser demolidos pois enfeiavam o local. Seu objetivo era transformar o Rio em "cidade maravilhosa". De fato, o título pegou, mas as demolições de cortiços resultou nas favelas. E é justamente de lá que vem o maior problema que as autoridades estão tendo que enfrentar: o crime organizado.
Apesar de não dar pulinhos de alegria por causa das olimpíadas do Brasil (o texto anterior mostra porque) vejo o lado positivo disso. Finalmente o problema da violência está começando a ser tratada com a devida importância. Apenas espero que as autoridades não se esqueçam das duas questões mais importantes á respeito da violência e do tráfico de drogas:
  1. Não tem como acabar com a violência sem combater a injustiça social. Ela é a principal causa da própria violência. Se continuarem fazendo de conta que não enxergam isso, nada irá mudar.
  2. Quem financia o tráfico e, consequentemente a violência, é o próprio consumidor de drogas e estes são na sua maioria pessoas de classe média ou alta. Punir quem trafica mas "aliviar" para quem cheira ou fuma é uma enorme contradição.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Copa do Mundo no Brasil


Fiquei séculos sem postar mas finalmente voltei! Culpa da faculdade que tem tomado todo meu tempo e sufocado meu espírito criativo. E eu não voltei porque acabei tudo que tinha para fazer, não. Tenho um trabalho de cálculo para terminar e uma prova dessa mesma matéria para estudar. Mas fiz um texto sobre a copa de 2014 no Brasil para o projeto de português, achei que ficou legal e resolvi postá-lo. Quando eu tiver mais tempo (e inspiração), posto algo.

No ano de 2014 o Brasil irá sediar a Copa do Mundo. As doze cidades onde se realizarão os jogos já foram selecionadas e o valor total estimado para reforma e reconstrução dos estádios é R$ 4, 391 bilhões.

A mídia enaltece a cada instante o proposto evento, os políticos vibram com o fato de que todos estejam olhando para o nosso país e o povo comemora junto, mesmo que não vá mudar muita coisa para a maioria: vão assistir aos jogos pela televisão de qualquer maneira.

Os defensores do projeto alegam valer a pena gastar bilhões já que o país ganha em infra-estrutura, turismo, geração de empregos diretos e indiretos, além de virar o centro das atenções mundiais por certo tempo. Será que vale mesmo? Empregos são gerados sim, mas passageiros. Aquela sensação de que todos estejam olhando para o país é interessante, mas a esse preço? O país não teria outras prioridades?

Ao invés de reformar estádios de futebol seria mais útil reformar escolas que estão em péssimo estado de conservação e hospitais que não tem a mínima condição de atender seus pacientes. Nesse tipo de infra-estrutura vale a pena investir, pois além de gerar empregos contribui para a qualidade de vida da parcela menos favorecida da população. Infelizmente esse tipo de investimento não gera uma repercussão mundial.

Quem realmente ganha com a Copa são as empreiteiras encarregadas de realizar as obras e os políticos que podem aproveitar a oportunidade para fazer desvio de verba, lavagem de dinheiro, super faturamento e todo tipo de corrupção.

O Brasil vive até os dias de hoje sob a política “pão e circo”: seu povo dá mais importância ao futebol do que aos problemas sociais. Isso se deve aos apelos da mídia e atende aos interesses de políticos corruptos que preferem um povo ignorante e alegre à cidadãos críticos que exijam justiça.


domingo, 11 de outubro de 2009

2 Novos Selos!!!




"Este blog é um sonho" regras:

Fazer referência ao selo e publicá-lo;
Divulgar as regras;
Partilhar 5 coisas que gostamos de fazer;
Indicar o selo para 10 blogs;

5 coisas que gosto de fazer:
*Ler
*Escrever
*Namorar
*Comer
*Viajar (não necessariamente nessa ordem)

Os meus 10 escolhidos são os seguidores do Para mudar o mundo.



Selo "este blog é show", regras:
Citar 10 palavras que definam seu blog e indicar 3 blogs para receber o selo.

10 palavras que definem o Para mudar o mundo

*Verdadeiro
*Necessário
*Humano
*Solidário
*Revolucionário
*Crítico
*Livre
*Corajoso
*Imoral

Meus 3 blogs indicados:
MINHAS IDÉIAS SÃO ARMAS
Blog do Pedro Nelito
DJ MAGAL TÔRRES

Obrigada Glauco do blog o publico alvo que me mandou mais esses selos!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lily, Cazuza e Havaianas

Achei um absurdo o comercial das Havaianas Fit ter sido tirado do ar! Só porque uma velhinha fala sobre sexo causal com a neta... o que isso tem de mais? Ô povinho imbecil esse que reclamou!
Prefiro nem falar nada, ou melhor, deixo Lily Allen e Cazuza (adoro!!!) falarem por mim.
E se você ainda quiser ver a propaganda, entre no site: http://www.havaianas.com.br/


Fuck You

Foda-se

Lily Allen

Look insideOlhe dentro
Look inside your tiny mind Olhe dentro da sua mente pequena
Now look a bit harder Depois olhe mais atentamente
Cause we're so uninspired, Porque ficamos tão desanimados
so sick and tired Tão enjoados e cansados
of all the hatred you harbour. De todo ódio que você guarda


So you sayEntão você diz
it's not OK to be gay Que não é normal ser gay
Well I think you're just evil Eu acho que você é malvado
You're just some racist Você é apenas um racista que
who can't tie my laces Sequer serve para amarrar meus cadarços
Your point of view is medieval Seu ponto de vista é medieval


Fuck you (fuck you)Foda-se (foda-se)
Fuck you very, very much Foda-se muito, muito mesmo
Cause we hate what you do Porque odiamos o que você faz
and we hate your whole crew E odiamos toda sua turma
So please don't stay in touch Por favor, não se aproxime


Fuck you (fuck you)Foda-se (foda-se)
Fuck you very, very much Foda-se muito, muito mesmo
Cause your words don't translate Porque suas palavras não querem dizer nada
and it's getting quite late E está ficando muito tarde
So please don't stay in touch Então por favor, não se aproxime


Do you getVocê se sente
Do you get a little kick out of Você se sente um pouco rejeitado
being small-minded? Sendo tão cabeça-dura?
You want to be like your father, Você quer ser como seu pai
his approval you're after É a aprovação dele que você quer
Well that's not how you find it. Bem, não é assim que vai encontrá-la


Do you,Você
Do you really enjoy Você realmente curte
living a life that's so hateful? Viver uma vida tão cheia de ódio?
Cause there's a hole where your soul should be Porque há um buraco onde sua alma deveria estar
You're losing control of it Você está perdendo o controle
And it's really distasteful E é realmente nojento


Fuck you (fuck you)Foda-se (foda-se)
Fuck you very, very much Foda-se muito, muito mesmo
Cause we hate what you do Porque odiamos o que você faz
and we hate your whole crew E odiamos toda sua turma
So please don't stay in touch Por favor, não se aproxime


Fuck you (fuck you)Foda-se (foda-se)
Fuck you very, very much Foda-se muito, muito mesmo
Cause your words don't translate Porque suas palavras não querem dizer nada
and it's getting quite late E está ficando muito tarde
So please don't stay in touch Então por favor, não se aproxime


Fuck you, fuck you, fuck youFoda-se, foda-se, foda-se
Fuck you, fuck you, fuck you Foda-se, foda-se, foda-se
Fuck you Foda-se


You say you think we need to go to warVocê diz que acha que precisamos ir pra guerra
Well you're already in one Bem, você já está em uma
Cause it's people like you Pois são pessoas como você
that need to get slew Que precisam de uma lição
No one wants your opinion Ninguém quer sua opinião


Fuck you (fuck you)Foda-se (foda-se)
Fuck you very, very much Foda-se muito, muito mesmo
Cause we hate what you do Porque odiamos o que você faz
and we hate your whole crew E odiamos toda sua turma
So please don't stay in touch Por favor, não se aproxime


Fuck you (fuck you)Foda-se (foda-se)
Fuck you very, very much Foda-se muito, muito mesmo
Cause your words don't translate Porque suas palavras não querem dizer nada
and it's getting quite late E está ficando muito tarde
So please don't stay in touch Então por favor, não se aproxime


Fuck youFoda-se
Fuck you Foda-se
Fuck you Foda-se


Blues da Piedade

Cazuza

Composição: Roberto Frejat/Cazuza

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

domingo, 27 de setembro de 2009

Frescurite... ^^

Recebi mais um selo do Glauco, dessa vez de seu blog o público alvo (apesar de não ser o público alvo dele, adoro).
Bem, a regra é a seguinte: citar 7 coisas que não te saem da cabeça e depois escolher 7 blogs para receber a mesma tarefa e selo.
Vamos lá. As sete coisas que não me saem da cabeça são:

1- Uma saudade muito forte de alguém especial ^^
2- Mirra, minha cachorra (não dá pra esquecer, quando não tô com ela, ela tá chorando)
3- O terror das aulas de topografia (medo de repetir essa matéria! logo eu que sou tão cdf..)
4- Qual será o próximo texto a ser postado no meu blog... (são muitas idéias)
5- Prova de autocad de terça-feira
6- Preciso de um emprego!
7- Aulas de auto escola, inglês e autocad que eu preciso começar (por isso precio trabalhar!)

Ah, só 7? Eu já ia falar da escova gradativa que estou querendo fazer no meu cabelo... Ops! Rsrs... Parei!
Agora, os 7 blogs que recebem o selo e o desafio:

MINHAS IDÉIAS SÃO ARMAS

Glaukitos

Giovanna Cóppola

CRÔNICA DO MEU INTERIOR

CASTILHO DE VERDADE

Make me Feel

Blog do Pedro Nelito

E que a brincadeira continue =)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Personalidades se unem para "salvar" o planeta

Seja por moda e ou pura vontade de mudar o mundo, cada vez mais personalidades levantam a bandeira a favor do verde e de uma sociedade mais justa. Abaixo, dez ícones da luta para você conferir e, quem sabe, se inspirar também para fazer o bem.















Gisele Bündchen: A futura über-mamãe foi o foco dos holofotes no último domingo (20), quando foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade pelo Programa da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Gisele sempre lutou pela "saúde" do verde e até criou um site para conscientizar a população.














Al Gore: o ex vice-presidente dos Estados Unidos é conhecido atualmente por seu trabalho nas causas ambientais e grandes investimentos na área. O documentário "Uma Verdade Inconveniente" é um exemplo deles. Gore rodou o mundo apresentando o filme e reacendeu o debate sobre aquecimento global.












Angelina Jolie: Ela é linda, poderosa, mulher de Brad Pitt, mãe de seis crianças e ainda tem tempo e vontade de ajudar os outros. A atriz é um exemplo a ser seguido. Atualmente, Angelina é embaixadora da ONU e vive rodando campos de refugiados para saber suas condições de vida, o que necessitam e dar também um pouco de alegria e carinho.














Bono: O líder do U2 tem também um lado B ligado aos problemas sociais da população mundial. Por seus projetos e campanhas, o cantor foi indicado, em 2005, ao Prêmio Nobel da Paz. A "área" que Bono mais atua é das doenças como AIDS, tuberculose e Malária nas cidades africanas.













George Clooney: Após uma visita a Darfur, o ator hollywoodiano ficou tocado com as condições sociais dos habitantes e também se tornou um dos que contribuem para que haja uma mísera mudança sequer na vida daquelas pessoas. Por seu compromisso com a causa, Clooney foi condecorado Mensageiro da Paz por Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas.













Leonardo DiCaprio: Assim como Al Gore, o ator de "Titanic" também produziu um filme ("A Última Hora") para chamar atenção para o aquecimento global. Além disso, Leo tem uma fundação que cuida de causas ambientes e casas para crianças carentes.














Madonna: A popstar adotou duas crianças no Malauí e, apesar de viver no luxo dos hotéis e palcos de superproduções, é engajada com causas sociais no país africano. Madonna levanta a bandeira por um mundo melhor desde os anos 1990 e sempre faz doações "gordas" para caridade.













Oprah Winfrey: a apresentadora de talk-show nos Estados Unidos construiu, após um acordo com Nelson Mandela, uma escola para meninas sul-africanas em Henley-on-Klip, ao sul de Johannesburgo. Além disso, a americana ainda contribui para problemas ambientais.













Christiane Torloni: A atriz é uma das personalidades brasileiras que mais carrega a bandeira em prol das causas ambientais. Vira e mexe Torloni aparece em Brasília para falar sobre problemas do desmatamento da Amazônia, a maior causa que defende.













Xuxa: A apresentadora aproveita a fama entre os baixinhos para semear boa vontade desde cedo. Com a Fundação Xuxa Meneguel, além de defender o verde, Xuxa também trata de causas sociais. Em uma festa de aniversário da filha, Sasha, os convidados receberam como lembrancinha mudas de árvores.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral


A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei (PL) de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.


O PL de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras. Para isso, é preciso que 1% do eleitorado brasileiro assine esse Projeto, o equivalente a um milhão e trezentas mil assinaturas.


Para participar da Campanha Ficha Limpa é preciso imprimir o formulário de assinatura (para imprimir o formulário clique aqui: http://www.mcce.org.br/node/15). Não é possível votar eletronicamente! O Congresso Nacional exige que os formulários sejam enviados impressos.

Depois de assinar e registrar o número do título de eleitor no documento, basta enviá-lo para o endereço SAS, Quadra 5, Lote 2, Bloco N, 1º andar - Brasília (DF) - CEP. 70.438-900.

O Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos pretende:

  • Aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo:

  • Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal – no caso de políticos com foro privilegiado – em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal;

  • Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;
  • Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.
  • Estender o período que impede a candidatura, que passaria a ser de oito anos.
  • Tornar mais rápidos os processos judiciais sobre abuso de poder nas eleições, fazendo com que as decisões sejam executadas imediatamente, mesmo que ainda caibam recursos.
As assinaturas serão repassadas ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, no dia 29 de setembro. Semana passada eu recolhi algumas assinaturas de parentes, amigos e colegas da faculdade. Faça você também a sua parte, ainda dá tempo! Imprima o formulário, assine e peça para mais alguém assinar, depois envie pelo correio para o endereço citado acima. São necessários 1 milhão e 300 mil assinaturas para que o PL seja votado no congresso. Não adianta ficar só reclamando, temos que fazer alguma coisa!


Vídeo explicativo da campanha com o ator Milton Gonçalves, muito interessante, vale a pena assistir (eu só não o postei porque estou meio sem tempo e para postar demora): http://www.youtube.com/watch?v=Irs8X_h6REg&feature=player_embedded


Assistam, divulguem, assinem...

Meu primeiro selo!!!


Recebi esse selo do blog glaukitos.blogspot.com, de meu amigo Glauco.
Muito obrigada!
O primeiro selinho a gente nunca esquece, não é mesmo?
Rsrs
Adorei ^^

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni...

video


Estava pensando em começar a postar vídeos de músicas críticas e inteligentes (as vezes, não tão conhecidas), que levassem o leitor (assim como a blogueira que aqui vos escreve) a refletir e, quem sabe, até rever seus conceitos. Para estrear coloco esse vídeo da música "Geni e o Zepelim", de Chico Buarque.
A letra fala de uma moça chamada Geni que é discriminada pelas pessoas de sua cidade pelo fato de "dar-se" a qualquer um. Não vou descrever a música toda aqui, até por que a intenção é que vocês ouçam, assistam o vídeo ou ao menos leiam a letra (http://letras.terra.com.br/chico-buarque/77259/), tirando suas próprias conclusões e comparando-as com a minha opinião.
Alguns dizem que a música é mais uma daquelas críticas disfarçadas à ditadura militar. Não duvido que seja, mas analisando a letra, vejo que é um retrato perfeito da sociedade hipócrita em que vivemos.
Eu fico pasma com o falso moralismo dos brasileiros. As pessoas tem tanta coisa importante para se preocupar, como a política que nunca vai bem, mas insistem em perder tempo julgando a vida dos outros.
Coincidentemente, enquanto pensava em postar esse vídeo e no que iria escrever, passei em frente a televisão e vi o caso da professora que foi demitida por ter dançado de forma vulgar em um show e o vídeo ter parado na internet. Além de perder o emprego, Jaqueline virou motivo de chacota pelos vizinhos, viu "amigos" lhe virarem as costas e tudo isso por ter bebido umas e outras e dançado, mostrando a bunda. Se isso tivesse acontecido no Vaticano, tudo bem, mas no Brasil? Mais especificamente em Salvador, Bahia?! Onde esses vizinhos e "amigos" estavam quando o É o Tcham fazia o maior sucesso com a "Dança da garrafa"? Isso para falar de coisas antigas... Por que não citar as atuais mulheres frutas que estão por aí?

Não estou criticando nem as mulheres frutas, nem as dançarinas do tcham. Acho que cada um tem que aproveitar o que tem para se sustentar. Se for inteligência, use a inteligência; se for beleza, use a beleza; se for talento, use o talento; se for tudo isso junto, use tudo! Sendo de maneira honesta, tudo bem. Não tenho absolutamente nada contra. Mas é tão engraçado que se uma cidadã comum resolve "liberar" um pouquinho ouve um coro de demagogos parecido com o da música:

"Joga pedra na Geni

Joga bosta na Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela é boa de cuspir

Ela dá pra qualquer um

Maldita Geni"

O povo simplesmente adora julgar o caráter das pessoas. Como se a maneira como alguém se veste, dança, ama, trabalha ou se comporta sexualmente determinasse se ela é boa ou má. Se fosse assim nossos políticos, empresários e demais engravatados seriam as pessoas mais íntegras do mundo!

Não concordo, mas até entendo o ponto de vista do dono da escola que a demitiu. A pressão dos pais dos alunos, ainda mais por se tratar de ensino infantil, seria muito grande se ele não tivesse tomado essa providência. Apesar que ela não estava no ambiente de trabalho e poderia fazer o que bem entendesse. O corpo é dela, ela mostra pra quem quiser! É claro que ela poderia ter pensado nas consequências e dançado lá em baixo mesmo, sem subir no palco, mas se ela quis se expor, e daí? Não foi a primeira nem vai ser a última. Mas talvez seja uma das poucas que em vez de ganhar, perdeu com isso.

Ai ai... Até quando os homens vão continuar com essa hipocrisia onde tudo, absolutamente TUDO é permitido desde que seja mantido por debaixo dos panos e quem mostra a cara (nesse caso, a bunda), por coragem ou por descuido, leva "pedradas" e "cuspidas"?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Menor Infrator


Imagine um pequeno município do interior de Minas Gerais com uns 20 mil habitantes. Agora imagine um distrito desse município que tem em média umas 10 mil pessoas. É aqui que eu moro. E foi aqui que a duas semanas arrombaram a porta da minha casa quando todos tínhamos saído e roubaram o notebook, dentre outras coisas. Assim que a polícia chegou já tinham um suspeito. Essa pessoa já havia roubado em várias outras casas. Mas então por que continuava solto? Porque ele é menor de idade.
A polícia foi atrás dele, mas logicamente ele negou tudo. Depois de quase uma semana vieram uns policiais de outra cidade e deram um "aperto" no garoto de 17 anos que acabou confessando o crime e contando onde os objetos roubados estavam escondidos. Por sorte ainda não tinham sido vendidos.
Sabe o que aconteceu com ele? Nada. Pelo menos por enquanto. Parece que ele vai ser encaminhado para o juizado de menores. Enquanto isso, continua solto pelas ruas e se quiser pode continuar roubando de pessoas honestas e trabalhadoras.
Sei que pelo que ele fez é bastante improvável que fique internado. Isso acontece geralmente com adolescentes que cometem crimes mais graves como homicídio. Ele pode ter a liberdade assistida (ficar em casa mas permanecer vigiado) ou prestar serviço a comunidade. Mas também pode levar apenas uma advertência do juiz. O problema é que provavelmente nada disso vai adiantar pois geralmente eles roubam para comprar drogas, e acredito que seja este o caso. Sendo assim, o melhor caminho seria mesmo a internação que nem de longe lembra os calabouços sujos e sombrios dos presídios. São unidades especiais, dotadas de todos os serviços psicossociais, as mais variadas e modernas formas de terapias, sejam elas com fins exclusivamente terapêutico ou de ocupação, recreação, educação religiosa. O objetivo não se afasta da ressocializacão, repelindo totalmente a punição, que não recupera.
Acredito que esses internatos deveriam também tratar do problema da dependência química e oferecer, além de recreação, profissionalização. Isso talvez resultasse na recuperação de um número maior de jovens.
É claro que não mudei de idéia sobre as causas da violência. Como postei certa vez falando da Campanha da Fraternidade, não se deve combater a violência apenas punindo pois não adianta. A injustiça social gera a violência. Mas é errado pensar que o ladrão está roubando apenas para matar sua fome. Existem outras questões que somadas à injustiça social agravam ainda mais o problema da violência.
Muitos jovens que são trabalhadores e estudam começam a se envolver com drogas. Aí o salário do emprego honesto já não é suficiente para alimentar o vício e ele começa a roubar para pagar as dívidas. Isso é tão sério que há tempos não é mais exclusividade das grandes cidades, já chegou nas pequenas também.
Outra questão é a ganância. Muitos querem ter acesso ao luxo sem se esforçar para conseguir. Querem andar com roupa de marca, ostentar celular da moda mas da maneira fácil: roubando. O pior é que geralmente não roubam de quem tem dinheiro sobrando e sim da classe média que quase morre de trabalhar para pagar suas prestações e impostos.
É claro que esse tema é demasiadamente profundo, mas tentei atravez desse texto fazer com que o leitor fique consciente da gravidade do problema.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sociedade Viva Cazuza precisa de ajuda

A criança que chegou em 2008 em sua primeira Festa de Natal na Sociedade Viva Cazuza

Fiquei muito triste ao ficar sabendo que quase 20 anos depois da perda de Cazuza, a entidade que leva o seu nome está à beira da morte. A mãe do cantor e presidente da Sociedade Viva Cazuza, Lucinha Araújo, tentará como última cartada audiência com o presidente Lula. Emendas parlamentares garantiram até 2002 o funcionamento da ONG. Com o governo Lula, mudaram as regras, e os recursos passaram a demorar. Como a entidade oferece assistência médica, mas não é hospital, a burocracia virou entrave (como sempre, a burocracia!).

A Viva Cazuza, em Laranjeiras, tem como receita direitos autorais de suas músicas. Mas a fonte cobre menos de 10% das despesas, entre R$ 60 mil e R$ 70 mil mensais. Campanhas, shows e donativos tentam equilibrar as finanças. No entanto, têm sido insuficientes. O custo de manutenção de uma casa onde moram 22 crianças portadoras do HIV é muito elevado. São obrigados a manter quatro equipes de funcionários, uma vez que não fecham. Mas o resultado do trabalho é gratificante, hoje eles têm adolescentes já com 17 anos fazendo curso profissionalizante, é uma nova geração que está chegando disposta a lutar pelos seus direitos. A Sociedade oferece ainda projeto de acompanhamento de doentes associado à distribuição de cestas básicas.

“O problema é que a Aids saiu de moda, as pessoas acham que a Aids é uma doença que basta tomar um remedinho e tudo bem, mas infelizmente não é bem assim. Apesar da grande conquista da medicina que proporciona qualidade e quantidade de vida aos pacientes, a convivência com a Aids é um problema sério e se não voltarmos a falar nela todos os dias, com a preocupação com que a imprensa, os meios de comunicação e a sociedade civil dispensavam a ela nos anos 90 vamos ter um recrudescimento da epidemia. Essa falta de espaço e visibilidade faz com que as doações estejam cada dia mais escassas e é claro os direitos autorais de Cazuza também vêm diminuindo, afinal ele não está mais entre nós há 19 anos.” Palavras da própria Lucinha.

Se você quiser ajudar a Sociedade, eles recebem doações de remédios, alimentos, produtos de limpeza e higiene, roupas infantis, brinquedos etc., de segunda a sexta feira das 7 às 19 horas nesse endereço: Rua Pinheiro Machado, 39 - Laranjeiras
22231-090 Rio de Janeiro RJ
tel (55 21) 2551 5368 / fax (55 21) 2553 0444

Doações em espécie podem ser feitas também através de depósito para:
Sociedade Viva Cazuza
agência 0887-7
c/c 26901-8
(Quem já é cliente do Bradesco pode fazer uma transferência na página do banco na internet).

Se você mora no Rio também é possível ajudar indo aos eventos. Para saber a programação dos próximos shows entrem no site http://www.vivacazuza.org.br/sec_noticias.php?page=1&id=34

Os ingressos custam apenas R$ 5,00 e os próximos serão:

04/8 – Perla

11/8 – Cidade Negra

18/8 – Orquestra Tabajara

Vale lembrar que comprando CDs e DVDs do Cazuza (originais, é claro) você também estará ajudando a Sociedade Viva Cazuza.

"Quem tem um sonho não dança" Cazuza

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O poder das religiões




"O poder ilimitado corrompe a mente de quem o possuem"


Willian Pitt




É impressionante o poder que as religiões exercem sobre a humanidade. Acredito que toda essa influência seja devido ao oculto, ao misterioso, justamente por ter um teor divino e não humano. Sim, porque nenhuma instituição formada por homens comuns consegue convencer tantas pessoas por tanto tempo como acontece com as religiões. Esse poder pode ser usado para o bem ou para o mal. É confortante acreditar em algo que dê esperança, que faz você superar as dificudades. É bom ter a quem recorrer na hora do aperto, especialmente se esse alguém tem poderes ilimitados para te ajudar. Muitas pessoas mudam de vida graças a alguma igreja, saem das drogas, da criminalidade e ganham um motivo para viver. Admiro esse tipo de trabalho feito em algumas igrejas, ajudando quem precisa e seguindo os ensinamentos de Jesus: "amar o próximo como a ti mesmo". No entanto em muitos lugares vejo um cristianismo egoísta, que em nenhum momento se fala em ajudar ninguém a não ser a si mesmo. Valorizam mais os valores moralistas (vestimentas, comportamento, proibições do que não é bem visto pela igreja) do que o interior de cada um, bem diferente do que Cristo faria. Quem conhece pouco de bíblia sabe disso. Quem não conhece nada, fique sabendo: o que Jesus mais fez foi pregar sobre o amor.


Mas nem sempre os que se dizem cristãos lembram disso. Não vou nem entrar na questão do tal "evangélio da prosperidade" _ não espiritual, material mesmo_ que vem sendo disseminado por aí. É lastimante. Exatamente aí entra o lado negativo da religião: quando nas mãos de pessoas espertas e sem caráter pode ser usada para alienar massas (formadas por pessoas simples e ignorantes) e convencê-las do que quiserem. Para quem acha que isso é novidade está enganado. A igreja católica já vendeu muita "vaguinha no céu" antigamente. Hoje, depois de não sei quantos anos de reforma protestante é a vez deles cometerem os mesmos erros que criticavam. E esse tipo de atitude não é de exclusividade cristã. Taí o hinduísmo que não me deixa mentir. Uma religião milenar que divide a sociedade em castas que traduzindo para a nossa língua correspondem as classes sociais. A diferença é que no mundo capitalista não hindu temos a impressão de liberdade, ou seja, é possível melhorar de vida e mudar de classe desde de que se esforce muito e tenha bastante sorte, se for honesto (pois a sociedade não vai te proporcionar condições favoráveis nem oportunidades justas para que você consiga) ou, se for desonesto, bem, neste caso vai ter um monte de gente que te ajude mas eu não estou aqui para ensinar ninguém a fazer isso (até porque nem é preciso!). Mas voltando ao assunto: aqui a ascenção social não tem nada a ver com religião (ou ao menos não deveria ter). Já os hindús acreditam que se você nasceu para catar cocô vai catar cocô para o resto de sua vida, não pode mudar isso. Mas tem a parte boa: talvez na próxima reencarnação você nasça em uma casta rica e se dê bem. É ou não é uma maneiro de justificar (e não deixar que se cogite mudar) a miséria em que a maioria da população indiana vive? Hoje o sistema de castas é proibido por lei, o que já é um avanço, mas a mentalidade de um povo que de vem há séculos sofrendo lavagem cerebral religiosa não vai mudar de uma hora para a outra.


O que dizer dos homens bombas que matam e morrem em nome de Deus, acreditando que irão para o paraíso e lá terão não sei quantas virgens maravilhosas esperando por eles? Enquanto isso os coitados nem imaginam que estão sendo usados em uma guerra de interesses muito mais relacionados à política e economia do que à religião.


Outro problema é a intolerância religiosa. Pessoas se matando só porque são de religiões diferentes. Não são poucos os conflitos que acontessem hoje no mundo por causa disso. Na verdade esses conflitos têm sempre um fundo político e econômico (briga por território, riquesas naturais, e por aí vai...). Só para citar alguns: muçumanos e judeus em Israel, católicos e protestantes na Irlanda do Norte, hindús e muçumanos na Índia... Como se não bastasse essa mania que humanos têm de brigar entre sí as vezes as religiões cumprem o papel de atiçar ainda mais.


Não estou dizendo que religião é algo ruim. O problema é quando a influência dela é usada para deixar as pessoas alienadas, capazes de fazer coisas horríveis. O negócio é questionar sempre para não entrar nessa roubada! Mas infelizmente sempre vai ter gente ignorante o suficiente para se deixar acreditar em qualquer coisa.


Jesus pregou a bondade, o amor, disse para ajudarmos o próximo; Buda falou de desprendimento dos bens materiais para se alcançar a iluminação; Gandhi defendeu que as pessoas deveriam viver em harmonia respeitando as diferenças religiosas umas das outras... Independente da religião podemos ser pessoas melhores.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pobreza X Aprendizado


“Não se trata de altruísmo, isso é um problema econômico tanto quanto social. A educação é o que constrói a capacidade intelectual de um país, que é a base para o desenvolvimento.”


A relação entre pobreza e aprendizado é conhecida, mas os cientistas ainda tentam explicar como isso ocorre.BOSTON, EUA -


Crianças criadas em condições de pobreza têm mais dificuldade para aprender, não só por questões socioeconômicas, mas também biológicas. Pesquisas realizadas nos últimos anos comprovam que a pobreza tem impacto direto no desenvolvimento do cérebro, justamente no período mais crítico da infância, deixando seqüelas neurológicas que diminuem a capacidade de aprendizado e que podem durar para a vida toda. Em países onde a pobreza é disseminada, como o Brasil, as pesquisas trazem implicações importantes para a avaliação de performance escolar e para políticas de inclusão voltadas para alunos de baixa renda, como o sistema de cotas e o Programa Universidade para Todos (ProUni). Pelo que estão descobrindo os neurobiólogos, o fraco desempenho dos alunos da rede pública tem raízes que vão muito além do que acontece na sala de aula.Os resultados dessa relação entre pobreza e aprendizado já são bem conhecidos dos educadores, mas os cientistas ainda estão longe de explicar como isso ocorre biologicamente. Ou, nas palavras do pesquisador Jack Shonkoff, da Universidade Harvard, “como é que a pobreza consegue atravessar a pele e chegar ao cérebro”.Uma explicação simples seria dizer que crianças pobres freqüentam escolas piores, têm menos acesso a informação e cultura, portanto é natural que aprendam menos do que as outras, mais privilegiadas. Nesse caso, é fácil jogar a culpa nos professores ou na falta de dedicação dos próprios alunos. Porém, segundo os cientistas, é preciso considerar também que esses alunos já entram no sistema em desvantagem, por mais dedicados que sejam.A capacidade do ser humano de memorizar, lembrar e aprender novas informações depende de uma constante reconfiguração de sinapses - as ligações entre um neurônio e outro, através das quais são transmitidas e armazenadas as informações no cérebro. A maior parte dos neurônios são formados "in útero", durante o desenvolvimento embrionário e fetal, mas a planta básica de conectividade dessas células só é estabelecida nos primeiros anos de vida, à medida que a criança aprende a falar e raciocinar.Numa situação de pobreza, em que há menos estímulos, piores condições de saúde, má nutrição, maior exposição a substâncias tóxicas, abuso e outras dificuldades domésticas, esse desenvolvimento primordial do cérebro pode ser prejudicado. “Uma vez que esses circuitos são fechados, não dá para voltar atrás e reconfigurar o sistema. A criança vai viver com os circuitos defeituosos para sempre”, afirma Shonkoff, diretor-fundador do Centro sobre Desenvolvimento Infantil de Harvard.O assunto foi tema de um simpósio da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) na semana passada, em Boston. “Não há dúvida de que ser pobre é ruim para o cérebro”, disse a organizadora do debate, Martha Farah, da Universidade da Pensilvânia. “Os efeitos sobre a criança são significativos; não se trata de uma mera curiosidade científica.” Estudos mostram, por exemplo, que crianças de três anos de idade cujos pais possuem diploma universitário têm um vocabulário três vezes maior do que crianças cujos pais não completaram o ensino básico. “Com dois anos você já pode notar a diferença”, disse Shonkoff. Mesmo entre ratos de laboratório, filhotes que recebem menos lambidas e carícias de suas mães após situações de estresse saem-se pior em testes de memória e aprendizado.Segundo Martha, isso cria um círculo vicioso pelo qual crianças pobres vão mal na escola, não conseguem um bom emprego para melhorar de vida e acabam tendo filhos que vão crescer na mesma desvantagem. Há um custo também para a saúde: crianças pobres são mais suscetíveis a doenças como diabetes, obesidade, dependência química e problemas cardiovasculares.


Caminho com volta


As seqüelas da pobreza no desenvolvimento cerebral, como disse Shonkoff, são profundas, mas não totalmente irreversíveis. Estudos com animais mostram que o cérebro tem “plasticidade” suficiente para se recuperar, se os estímulos positivos para que isso ocorra forem também suficientes. No caso dos seres humanos, esses estímulos podem variar desde um simples programa de leitura ou assistência social até a oportunidade de estudar numa boa escola - onde entram os programas de inclusão para alunos carentes.Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, estudantes de escolas públicas que receberam bônus para passar no vestibular se saíram melhor no primeiro ano de estudo do que os alunos “tradicionais”, que não receberam o benefício. Eles tiveram notas melhores em 31 dos 56 cursos avaliados no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais) da universidade.“Quanto mais velho, mais difícil fica voltar atrás, mas não há evidências de que a partir de um certo momento seja tarde demais”, explicou a pesquisadora Courtney Stevens, da Universidade do Oregon. “O importante é lembrar que, se você quer construir uma boa casa, é melhor investir na fundação do que tentar reformar tudo depois.” Por isso, dizem os pesquisadores, é essencial que a intervenção seja feita de maneira preventiva, o quanto antes na vida da criança. “Não se trata de altruísmo”, completou Shonkoff. “Isso é um problema econômico tanto quanto social. A educação é o que constrói a capacidade intelectual de um país, que é a base para o desenvolvimento.”

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Recessão leva 90 milhões de pessoas à extrema pobreza, diz ONU


Gente, olhem que coisa mais triste =(

A recessão econômica reverteu 20 anos de declínio da pobreza mundial e deve colocar em 2009 mais 90 milhões de pessoas no ranking dos que passam fome no planeta, um aumento de seis por cento em relação aos dados atuais, informou a ONU nesta segunda-feira.
As pessoas que vivem na pobreza (definida pela ONU como as que têm rendimentos de menos de 1,25 dólares por dia) já sofreram bastante com a crise financeira e econômica nos últimos dois anos.
Intitulado "Relatório de Metas de Desenvolvimento do Milênio", o documento também alerta que o recente declínio na ajuda externa (apesar das promessas de países ricos de aumentar o fluxo de recursos) provavelmente vai causar mais doenças e agitação social no hemisfério sul.
De acordo com dados da ONU, em 1990 a proporção de pessoas que passavam fome era de 20 por cento da população mundial, mas em 2005 caíra para 16 por cento (número que refletiu a expansão do comércio mundial, especialmente na Ásia). A situação começou a mudar em 2008, em parte como consequência do aumento dos preços dos alimentos no mundo, diz o relatório. O relatório indica que 17 % dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão classificados como extremamente pobres no fim de 2009. Embora o custo dos produtos básicos tenha voltado a cair por volta do fim do ano passado, isso não tornou os alimentos mais acessíveis para a maioria das pessoas no mundo.
Uma vez recebi por email um texto de um inconformado (assim como eu) onde dizia que seria necessário cerca de 40 bilhões de dólares para ACABAR com a fome no mundo. O que são 40 bilhões de dólares para o MUNDO? Mas nem fotos de pessoas extremamente miseráveis e desnutridas são capazes de sensibilizar a ponto de resolver o problema. No entanto em uma semana líderes das principais potências tiraram da cartola 2.2 TRILHÕES de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia, ou seja, para salvar empresas da crise.
Eu não consigo entender como a VIDA pode ser tão desprezível... As vezes até entendo mas me recuso a me conformar com tal crueldade...
"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Filha de Che lembra pai com ternura


Aleida, hoje com 48 anos recorda momentos que passou junto ao seu pai quando criança.


Brasil de Fato- Você tinha seis anos quando seu pai foi assassinado. Quem lhe deu notícia e onde você estava?


Aleida Guevara - Eu ia cumprir sete anos em novembro e meu pai foi assassinado em outubro. Fazia dias que em Cuba já se ventilava a notícia, mas não havia uma certeza absoluta. Então, já haviam fotos grandes dele coladas nas paredes das ruas, trazendo alguns dizeres. E me lembro de estar dentro de um carro, vendo estas fotos do meu pai por toda a parte e eu não entendia por que justamente naquele dia havia tantas fotos do meu pai. Como eu ainda era pequena, não podia ler de forma corrida, com velocidade. Então, não sabia o que os cartazes diziam. E perguntava: "Por que o meu pai? Por que o meu pai". E ninguém me respondia. Alguns choravam, outros abaixavam a cabeça.


BF - Como você se deu conta?


Aleida - Numa dessas noites, me levaram à casa em que Fidel morava com a "tia" Célia Sánchez. Ela me disse que o meu "tio" (como Aleida chama Fidel) queria falar comigo. Então, subi encantada para o último andar onde ele vivia e vi que minha irmã mais velha (Hildita, filha única do primeiro casamento de Che, com Hilda Gadea) estava lá. E pensei: "Que estranho a Hildita estar aqui". E Fidel nos disse: "Eu recebi uma carta do seu pai que diz que se ele morrer em combate, ele não quer que vocês chorem por ele porque ele foi um homem que viveu como queria e morreu como queria. Portanto não se pode chorar por um homem que tenha feito isso". Então, Fidel pediu a nossa palavra de que não iríamos chorar pelo meu pai se isto um dia viesse a acontecer. E nós dissemos sim. A questão é que meu "tio" queria nos dar a notícia, mas minha mãe queria dar-lhe ela própria. De toda maneira, ele nos quis preparar. Ele não havia recebido nenhuma carta deste tipo, era simplesmente uma forma de preparar uma menininha a quem vão dizer que nunca mais verá o seu papai.


BF - Quantos dias já haviam passado da morte do seu pai?


Aleida - Uns dez dias depois de a notícia estar rondando. Isso porque a notícia oficial só foi dada ao povo cubano, depois de confirmada, no dia 18 de outubro, e meu pai havia morrido no dia 9. Bom, no dia seguinte ao nosso encontro com Fidel, me lembro que eu tinha uma inflamação de dente, e me levaram novamente à casa dele, e a tia Célia tentou me dar um remédio, que era muito ruim. Aí, Célia me diz: "Leva este prato de sopa de milho para a tua mãe que está no meu quarto". Eu fiquei feliz porque há dias minha mãe estava cortando cana como parte de um trabalho voluntário e, então, quando chego com o prato de sopa minha mãe está chorando, e ela me diz: "Senta na cama, que eu vou falar contigo". Eu não lembro de minha mãe ter dito algo como "seu papai morreu". O que recordo é que minha mãe tirou uma carta e que começou a lê-la. A carta é aquela que diz que "quando lerem este carta é que eu não estarei mais entre vocês, seu pai foi um homem que sempre atuou como pensa, segundo suas convicções, etc". Ao final da carta, ele diz: "recebam um beijo grande do seu papai". E esta menininha de seis anos uniu o início ao final da carta e aí eu me dei conta que meu papai havia morrido. Que eu não teria mais papai.


BF - E qual foi a reação de sua mãe?


Aleida - Minha mãe, que sempre foi um píer que um se aproxima quando está em dificuldade, parecia completamente destroçada. Então eu me incorporei e disse: "Mamãe, não podemos chorar, meu papai morreu como ele queria e não se deve chorar por homens assim". Ela não imaginava o que Fidel havia me dito no dia anterior, que no final, sem querer acabou não somente me ajudando a receber a notícia como me ajudou a ajudar minha mãe.


BF - Como você passou esta noite?


Aleida - Dormimos cedo, e no outro dia quando amanhecemos eu tinha uma espécie de grade posta de um lado da minha cama, na mesma cama em que eu dormi com minha mãe. E perguntei: "O que é isto, mãe? Faz tempo que eu já durmo sozinha e nunca caí". Não, é que o seu "tio" veio durante a noite e como ele não sabe que você já é "grandinha" pôs a proteção para que você não caísse. Então, me enchi de ternura porque este homem grande estava preocupado por uma menininha que poderia cair de sua cama. Foi um gesto muito lindo de Fidel que eu sempre recordarei.


BF - E os dias seguintes?


Aleida - Meu "tio" quis nos proteger um pouco. Para nos dar um pouco de descanso, nos mandou para uma casa um pouco mais afastada para que ninguém nos incomodasse por um tempo porque todos na escola diziam: "Os filhos do Che, que pena". E pouco tempo depois, ele me manda buscar dizendo que quer me dar um presente. Minha mãe disse: "Eu sei que seu tio quer te dar um presente, mas você, por princípio, não pode aceitar nada". Fidel disse: "Eu quero te dar alguma coisa de presente. O que você quer?" Eu respondi: "Nada". Ele disse: "Uma menina que não queira nada é muito estranho. Diga-me o que quer". Respondi: "Quero um globinho terrestre para estudar". "Sim, mas mais que isso", disse ele. No apartamento em que estávamos havia quatro quadros, uma pintura de uma guajira (camponesa), um guajiro, uma guajirita e um guajirito, ou seja, uma família de camponeses independente em casa quadro. E eu sempre fui apaixonada pelo olhar do guajirito. E eu disse: "Eu quero este", apontando com meu dedinho. E eu ainda tenho este quadro na minha casa até hoje. Fidel se desprendeu dele e o deu para mim. Estas coisas te fazem pensar no privilégio que eu tenho tido como ser humano. Não somente ser filha de um homem e uma mulher tão especial, mas sim ter a possibilidade de ter um contato mais humano com um homem tão lindo como Fidel também.


BF - O que você recorda da última janta em família antes do seu pai partir para Bolívia, na qual ele apareceu já disfarçado como Rámon, supostamente um amigo de Che?


Aleida - Minha mãe havia advertido o meu pai de que eu conhecia muito bem os seus gostos. Que ele teria que ter cuidado com isso. Quando percebi que Rámon (na verdade Che) se serviu de vinho tinto puro - já que eu tinha a lembrança de que meu pai sempre tomava o vinho com água em casa -, e ele despejou o vinho no copo sem água, eu dou um pulo e grito: "Você não é amigo do meu papai nada porque meu papai põe água no vinho e é assim como se toma". Minha mãe me disse que o homem não se cabia na roupa de tão orgulhoso que estava de sua filha por ter defendido os seus gostos com tanta paixão. Quando acabamos de jantar, cai e machuquei a cabeça numa mesa de mármore rosa no meio de uma brincadeira com meus irmãos. E aí, meu pai me tomou em seus braços, já que também era médico e sabia que eu havia acabado de comer e havia batido fortemente a cabeça. De alguma maneira, ele me comunica um sentimento. Voltamos a brincar e eu digo a minha mãe que quero lhe contar um segredinho. E segredinhos de crianças de cinco, seis anos sempre saem a plena voz, e aí eu digo: "Mamãe, eu acho que aquele homem está apaixonado por mim". E para ela foi tremendo, mas para o meu pai mais ainda e se emocionou muito neste momento porque não podia me explicar por que queria de uma forma especial.


BF- Qual a primeira recordação que tem do seu pai?


Aleida - É muito nebuloso. Talvez, uma noite que ele me põe de castigo no meu quarto. Ele estava jantando com uns amigos argentinos, e como a janta não era oficial, a comida vinha do abastecimento normal de nossa casa, da "libreta", que não era suficiente. Nesta época, as crianças tomavam café-da-manhã na escola e almoçavam também por lá, depois voltávamos para casa, nos banhávamos e dormíamos sem problemas. Mas como eu vi os preparativos de uma festa, eu disse que também queria participar e voltar a comer. Como se explica para uma menina que não tem comida suficiente para ela e para os convidados? Meu pai tentou me explicar e eu insisti: "Não, eu quero comer com eles e pronto". E começo a chorar. Ele me põe no quarto e me diz: "Quando você parar, me chame que eu venho te buscar". Voltou à mesa, e percebeu que sua filha não chorava mais. Ele achou tanta graça que me sentou em suas pernas e me deu de sua própria comida. Muito pedagogo não era, mas era meu papai.


BF - Você consegue imaginar como seria a fisionomia do seu pai hoje com 78 anos, se estivesse vivo?


Aleida - Não me passa pela cabeça e não me interessa. Sabe por quê? Porque um dia quando eu era adolescente eu disse ao meu irmão Camilo (engasga um pouco para falar): "Se meu papai estivesse aqui, poderíamos discutir com ele coisas, aprender coisas dele, imagine quantas coisas poderíamos fazer (...) E Camilo, que é muito mais alto que eu, me olhou de sua altura e me disse: "Se o papai estivesse vivo, ele não seria nosso papai". E é verdade. E aprendi a lição que a vida você não pode mudar. E esta é ponto. Então, para que tentar imaginar coisas que não são? A imagem que tenho do meu pai está ali como nas fotos que vi ou como as que tenho em minhas recordações que aparecem como flashes.


BF- É possível recordar do momento em que foi tirada aquela que é considerada a última foto em família?


Aleida - Não. Eu tinha quatro anos e meio. Contudo, lembro de algo mais bonito. Nestes mesmos dias da foto, Ernestito (último filho de Che) acaba de nascer e eu vejo um homem vestido de militar, que agora eu sei que era meu pai. Imagina uma menina baixinha olhando para um homem que lhe parece enorme com uma mão grande está tocando a cabeça do meu irmãozinho que está apoiado no ombro da minha mãe, com um gesto de ternura tão extraordinário, que eu estou com 45 anos e me recordo perfeitamente bem desta cena. E tenho certeza de que ninguém me a contou. Fecho os olhos e a estou vendo. O que me chama a atenção é o gesto desta mão grande tocando com tanta ternura a cabecinha do bebê. Depois, me coloquei a pensar, a inventar, quantas coisas meu pai poderia estar pensando neste momento porque logo ele estará deixando nossa casa, não sabe o que vai pensar meu irmão um dia quando cresça e que talvez nunca possa voltá-lo a ver.

sábado, 6 de junho de 2009

Carta ao SR. Presidente da República




"Excelentíssimo Sr. Presidente da República Federativa do Brasil.Manifesto meu total apoio ao seu esforço de modernização do nosso país.Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é Reforma Tributária , percebi que posso definitivamente contribuir mais.


Vou explicar: Na atual legislação, pago na fonte 27,5% do meu salário.. Como pode ver, sou um brasileiro afortunado. Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral.Mesmo juntando ao valor pago por dezenas de milhões de assalariados!


Minha sugestão é invertermos os percentuais: A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 72,5% do meu salário... Portanto, eu receberia mensalmente apenas 27,5% do resultado do meu Trabalho mensal.


Funcionaria assim: Eu fico com 27,5% limpinhos, sem qualquer ônus.. O Governo fica com 72,5% e leva as contas de:


-Escola;


-Convênio médico ;


-Despesas com dentista;


-Remédios;


-Materiais escolares ;


-Condomínio;


-Água;


-Luz ;


-Telefone;


-Energia;


-Supermercado;


-Gasolina;


-Vestuário;


-Lazer ;


-Pedágios;


-Cultura;


-CPMF;


-IPVA;


-IPTU;


-ISS;


-ICMS;


-IPI;


-PIS;


-COFINS;


-Segurança;


-Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos poderes executivo, legislativo e judiciário.


Um abraço Sr. Presidente e muito boa sorte, do fundo do meu coração!"




Ass.: Um trabalhador que já não mais sabe o que fazer para conseguir sobreviver com dignidade.


PS: Podemos até negociar o percentual !!!





Agora vejam só a farra do Congresso Nacional :




Salário:................................................... .............R$ 12mil;


Auxílio-moradia.......................................................R$ 3 mil;


Verba para despesas "comprovadas"............................R$ 7 mil;


Verba para assessores............................................R$ 3,8 mil;


Para 'trabalharem' no recesso.................. ..............R$ 25,4 mil;


Verba de gabinete mensal..............................R$ 35 mil;




E mais:




Transporte: Passagens aéreas de ida e volta a Brasília/mês;




Direito a "contratar" 20 servidores para seu gabinete;




13º e 14º salários, no fim e no início de cada ano legislativo; e




90 diasde férias anuais e folga remunerada de 30 dias.




ISSO PARA CADA UM DOS 514 DEPUTADOS !!!!


(E olha que esses dados nem são muito atuais...)




Esse dinheiro sai dos cofres públicos, ou seja, do nosso bolso !!!


E como se não bastasse todas as regalias legalizadas eles ainda se metem em corrupção!!!


Enquanto isso nossa educação, saúde e todo o resto continuam precários... Até quando vamos aceitar tudo isso???