domingo, 27 de dezembro de 2015

Amores líquidos sim! E daí? (Eu sou amor da cabeça aos pés!)



A geração da minha mãe e anteriores foram gerações de mulheres que casavam. Algumas estudavam, algumas trabalhavam (e trabalham), mas invariavelmente casavam. Muitas vezes com o primeiro e único namorado ("moça de família" não podia passar muito disso). Era a principal perspectiva na vida da mulher. Minha geração cresceu em meio a mundos cor de rosa, brincando de casinha e acreditando que esse também seria nosso destino, afinal, esse era o "final feliz" de toda princesa... Eu cresci acreditando nisso. Fui moleca, brinquei muito de bola, de pique, subia em árvore, assistia desenhos de luta... Mas mesmo assim acreditava em "príncipe encantado". Brincava de namoro e casamento com Barbie e Ken (tinham cama de casal e tudo). Sonhava em ter um namorado desde o pré-escolar. Aliás, sempre tive paixões platônicas, desde que me entendo por gente. O primeiro foi o primo de uma amiguinha. Depois o menino mais bonitinho da escola. Não consegui dançar com ele na quadrilha. Meu par foi o Jow, logicamente se tornou meu terceiro "namorado" (na minha cabeça), apesar de achar que esse até que foi correspondido... rs. Depois aprendi a escrever e vieram os diários. Altas declarações de amor... Fui daquelas que escrevia carta anônima e tudo. Também recebi várias cartas, mas nunca gostava de quem gostava de mim. E os meninos de quem eu gostava ou não gostavam de mim, ou nem percebiam que eu gostava deles... Veio a adolescência e as coisas começaram a deixar de existir apenas no plano das ideias. Paixões, emoções, ilusões, desilusões, descobertas, alegrias, decepções... de carne, osso e sentimentos. Enfim adulta, mas apesar da idade, aquele sonho cor de rosa do "felizes para sempre" me perseguia. Eu via todo mundo namorando e eu só ficava, nada ia para frente. Acreditava piamente que era "impossível ser feliz sozinho" e me achava a mais miserável das criaturas por não ter um namorado. Meu sonho era postar foto de casal no orkut, receber declarações românticas no aniversário de namoro, essa palhaçada toda kkkkk...Fui ter meu primeiro namorado depois dos 20. Foi uma relação bem complexa. Mas foi através dela que me libertei daquele paradigma limitado. Em 2015 completei 24 anos e terminei dois relacionamentos.

A questão é: percebi que casar e ter filhos é uma opção, um estilo de vida, mas que existem muitos outros. E que nem todos se encaixam nesse modelo. Apesar da sociedade nos vender esse "pacotão" como receita da felicidade, basta olhar em volta para ver que é propaganda enganosa. Tem gente casada feliz? Tem. Mas também tem solteira, tem gente que casa e mora em casas diferentes, tem quem só namora, tem gente que troca de namorado com frequência, tem gente que pega o amigo, etc... E eu, que pensava me encaixar no primeiro grupo, fui perceber que esse equívoco era falta de auto conhecimento...

Tive relacionamento longo, médio e curto, e também tive oportunidade de ficar sozinha (depois dos 24 anos, pela primeira vez realmente sozinha, sem nenhum amor platônico inclusive).  Pela primeira vez na vida não desejo estar num relacionamento sério. Não estou solteira por falta de opção, não estou sofrendo, não penso em casar. Realmente estou bem assim. Sei que para quem só é feliz estando em um relacionamento (ou ainda não se libertou do "pacotão") é difícil assimilar a ideia, mas é verdade. 

Essa introdução toda foi para falar de amores líquidos. Já li alguns textos a respeito e em todos o tema era tratado como um problema. Um tipo de decadência nos relacionamentos entre as pessoas. Quase uma doença dos tempos modernos. Meu, pra mim eles são a solução!

Não quero me tornar uma ermitã. Gosto de me relacionar com as pessoas, o que não gosto é do peso do compromisso. Não quero ser cobrada, podada, ter que me preocupar em agradar alguém, em ser a "moça pra casar" e principalmente, não gosto de ser tratada como posse de alguém. Aí vem as pessoas "do bem" (mães, vós, amigas caretas, etc...) e falam: "mas existem caras legais, você ainda vai encontrar um dia e blá blá blá". Já falei sobre isso no texto anterior. Existem mas são exceções. E mesmo que eu os encontre um dia, não é só isso, tem outras coisas que pesam também...
  • Em um relacionamento ambos tem que ceder. Geralmente a mulher cede mais, mas vamos supor que o cara seja "O" cara (e não um machista de merda) e ceda tanto quanto a mulher. Ainda assim terei que ceder meus 50%; 
  • A opinião do outro conta e você não será 100% livre. Por mais liberal que seja, alguma satisfação sempre será de praxe. 
  • Em algum momento cai na rotina, esfria. Por mais que tenha amor e tal, depois de um tempo nunca é igual a primeira semana, onde tudo era "perfeito" sem esforço algum para "manter a chama"...
  • Muitas vezes o seu desejo diminui muito (por N motivos) e o do cara não. Aí começam as cobranças para você "comparecer". Porque se "não der conta", já viu: "vai procurar na rua o que não tem em casa"... aff...¬¬
  • Falando em cobranças... são muitas! 
  • Muitas vezes o outro não entende sua vontade/necessidade de ficar sozinha.
  • etc...
Todas as pessoas que vejo defendendo o casamento e criticando os amores líquidos falam que é preciso ter muita paciência para se manter em uma relação. Que conviver a dois não é fácil. Que é preciso abrir mão de muita coisa. Será que eles já se perguntaram se todo mundo está disposto a isso? Se é algo tão difícil, será que realmente é para todos? Será que não posso querer algo mais fácil e prático? Por que a felicidade tem que seguir o mesmo modelo para todo mundo?

Eu não quero ceder nada, quero continuar sendo quem sou 100% do tempo e fazendo só o que realmente tenho vontade. Gosto das coisas do meu jeito, no meu tempo. Não gosto de cobranças, amo minha liberdade. Adoro ficar sozinha, falar sozinha, sair sozinha... Não sou uma boa companhia o tempo todo. Enjoo das pessoas. Gosto de variar. Gosto de poder ficar com alguém hoje e amanhã talvez não estar mais. Gosto de ficar com alguém quando e se tiver vontade. Gosto de poder escolher. As vezes tenho muita vontade, as vezes não tenho nenhuma. Gosto de respeitar isso. Gosto de dormir sozinha e espalhada na cama (essa história de conchinha é ilusão, pelo menos pra mim nunca funcionou). Muitas vezes tenho preguiça das pessoas ¬¬

Mas, por outro lado as paixões não me deixaram por completo. Sim, ainda tenho sentimentos, desejos, etc. Então,quer melhor forma de me satisfazer do que com amores líquidos? Não importa se duram um dia, uma semana, um mês ou mais... O importante é que dure o tempo que for bom para os dois. É uma forma de se ter praticamente só a parte boa das relações, sem apegos, sofrimentos... 


"A sua história eu não sei, mas me conte só o que for bom" Amor puro - Djavan


Qual o problema das relações não durarem a vida toda? Acho que se acaba é porque hoje as pessoas (principalmente as mulheres) tem opção. Não tá bom? Termina. Tá sendo agredida? Pula fora (e denuncia). Não ama mais? Separa. Quer dar pra outro? Dá. Quer experimentar? Experimenta. Se descobriu homossexual? Se assume. Quer pegar geral? Pega. Quer namorar? Namora. 

As coisas não tem que durar. Elas duram se for para durar, se essa for a vontade de ambas as partes. Ultimamente tenho preferido as que não duram. Tem se encaixado melhor ao meu jeito de ser.
Fazer o que? 

"Eu sou amor, da cabeça aos pés"




Amo, amo AMOOOO esse mini doc:



<3

7 comentários:

  1. Fico feliz em ver que nossas conversas contribuiu para seu texto lindíssimo. Sair da caixa e um movimento sofrido mas libertador!

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  2. Fico feliz em ver que nossas conversas contribuiu para seu texto lindíssimo. Sair da caixa e um movimento sofrido mas libertador!

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  3. Ellen,
    Muito obrigado por visitar-me.
    Retornar ao meu blog e atualizá-lo, sempre foi o meu desejo, consegui postar e a tua visita me fortalece.
    O importante nos dias atuais, mais do que buscar a felicidade, é simplesmente ser feliz...
    Amor líquido ou sólido, não importa, seja feliz!
    Sei que fazes referência ao construto teórico de Zygmunt Bauman que na última década tem falado e pesquisado sobre a "modernidade líquida", daí a abordagem do amor líquido, dos frágeis laços afetivos em nossa contemporaneidade, tudo está por um átimo de segundo...
    Importante!
    Ser feliz sem desprezar outrem...
    beijos,
    Pedro

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    1. Oi Pedro, obrigada pela visita e pelo comentário. Sim, é a isso que me refiro, apesar de não ter lido esse teórico, apenas alguns textos de blogueiros que defendem a ideia de que esses relacionamentos de laços frágeis sejam ruins.
      Acho que a questão não é desprezar, mas sim ser claro com o que se quer e agir de acordo com o que lhe faz bem. Não sou responsável pelas falsas expectativas que o outro cria sobre mim. Aliás, é justamente por isso que não quero um relacionamento: o outro projeta em mim o que ele quer ver e passa a me cobrar que eu seja daquela maneira, apesar de eu nunca ter sido. Antes eu era assim também, mas depois que entendi que isso é loucura não aceito mais que o façam comigo. O problema é que a maioria das pessoas ainda o fazem, assim como acreditam que posse é sinônimo de amor... Enfim...
      Também defendo e comemoro índices como aumento nos divórcios. Pra mim isso indica que as pessoas estão ficando menos acomodadas, que as mulheres principalmente estão tendo autonomia e podendo decidir seu futuro ao lado ou não do homem com quem se casou um dia. Que não são mais obrigadas (pela sociedade, religião e questão financeira) a ser infeliz para o resto da vida ao lado de alguém e aceitar todo tipo de coisa (abusos, humilhações, traições, etc).

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  4. Na teoria tudo é mais fácil... parece o mesmo que mandar no coração!!! Ter um script para vida é fácil, mas temos que contar com o coração e quando o amor, paixão...sei lá o que chega tudo fica mais complicado. Bjs

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  5. Eu também pensava assim Carla, mas não tenho mais esse romantismo. A vida é feita de escolhas, simples assim. Eu escolho viver "sozinha" para a sociedade, acompanhada de vez em quando, se assim me convir. Mas não estou disposta a entrar novamente em um relacionamento sério, pelo menos não tão cedo, pois não quero arcar com as consequências que essa decisão acarreta. Encontrar um homem que não seja machista, que não nos trate como posse ou troféu, que não queira mandar ou dar pitaco na vida da gente, ou seja, encontrar um homem que dê mais prazer que desprazer é coisa rara... E por um pouco de prazer não estou disposta a pagar esse preço tão alto que é viver um relacionamento a dois nos padrões atuais (que não mudaram muito dos antigos, diga-se de passagem).
    No meu caso te juro não ser complicado, pois quando a coisa começa a ficar um pouco mais sério o "bonito" começa a mostrar quem realmente é, botar as garrinhas de fora, tentando me privar a liberdade ou moldar-me segundo sua maneira... Aí eu pulo fora.
    Claro que nem sempre foi assim, antes eu era escrava da paixão e da posse, pois como toda mulher fui criada acreditando que precisava de alguém para me fazer feliz. Quando me dei conta que isso não traz felicidade, que é preciso ser feliz consigo mesma e que a graaaaande maiorria dos homens esperam algo totalmente diferente do que eu espero em um relacionamento... tenho duas opções: me adéquo ao que está posto ou vivo sem. A primeira opção na verdade não é opção.
    Se um dia a exceção da exceção aparecer? prefiro não criar expectativas, irrealistas, ainda por cima...

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  6. Muito bom Ellen, vejo como vc cresceu!!. Bjs

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