quinta-feira, 23 de abril de 2009

A paz é fruto da justiça!




Não sou católica, mas costumo acompanhar os temas da campanha da fraternidade todo ano. Acho muito importante que as igrejas participem de projetos e causas sociais. Pois o papel da igreja não é apenas levar a palavra de Deus. Acredito que é importante também ensinar valores e não existe valor mais importante do que o de se repeitar e ajudar o próximo, com honestidade e justiça.

Esse ano a campanha acertou em cheio. O tema é: Fraternidade e segurança pública e o lema: "A paz é fruto da justiça".

Esse trecho resume bem o que se quer dizer com isso: "É vão punir sem superar desigualdades; É ilusão só exigir sem antes dar. Só na justiça encontrarás tranquilidade; Não-violência é o jeito novo de lutar. (...) Não é violência, não são grades ou vingança que irão fazer paz e justiça florescer."

É isso que todos devemos enchergar! A violência e a criminalidade estão diretamente ligadas à exclusão social. Enquanto existir injustiça social a paz será apenas um sonho distante. Não adianta nada prender os criminosos sem dar oportunidades de vida dígna aos filhos deles, se não eles vão pelo mesmo caminho...

A polícia faz o papel de repressora, não de protetora. A elite da sociedade exclui e o papel da polícia é impedir que esses excluídos se rebelem contra a sociedade. Mas é claro que os excluídos acabaram se rebelando, só que ao invés de exigirem seus direitos eles resolveram fazer justiça com as próprias mãos, e aí surgiu a criminalidade. Com ela vem todos os outros problemas relacionados à violência... Mas fazer o que? Cada um luta com as armas que tem. Olhando do ponto de vista deles, eles tem razão.

Para reverter esse quadro, somente com uma sociedade mais justa. Oportunidades iguais, direitos humanos respeitados ("A segurança é vida plena para todos: Trabalho digno, moradia, educação; é ter saúde e os direitos respeitados..."). Será que é pedir demais?


HINO DA Campanha da Fraternidade/2009

Tema: Fraternidade e segurança pública
Lema: "A paz é fruto da justiça" (Is 32,17)
L.: José Antônio de Oliveira
M.: Daniel Pinto da Fonseca

1. Ó povo meu, chegou a mim o teu lamento,
Conheço o medo e a insegurança em que estás.
Eu venho a ti, sou tua força e teu alento.
Vou te mostrar caminho novo para a paz

Refr.: Onde pões tua confiança?
Segurança, quem te traz?
É o amor que tudo alcança;
Só a justiça gera a paz!

2.Quando o direito habitar a tua casa,
Quando a justiça se sentar à tua mesa,
A segurança há de brincar em tuas praças;
Enfim, a paz demonstrará sua beleza

3. A segurança é vida plena para todos:
Trabalho digno, moradia, educação;
É ter saúde e os direitos respeitados;
É construir fraternidade, é ser irmão.

4. É vão punir sem superar desigualdades;
É ilusão só exigir sem antes dar.
Só na justiça encontrarás tranquilidade;
Não-violência é o jeito novo de lutar.

5. É como teia de aranha, a segurança (Jó 8,14)
De quem confia só nas armas, no poder.
Não é violência, não são grades ou vingança
Que irão fazer paz e justiça florescer.

6. Eu desposei-te no direito e na justiça;
Com grande amor e com ternura te escolhi. (Os 2,18)
Como aceitar o desrespeito, a injustiça,
A intolerância e o desamor que vêm de ti?!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A face negra do CAPITALISMO





"Bem aventurado Capitalismo! Não anuncia nada e jamais promete alguma coisa. Nada de manifestos nem de declarações programando a felicidade de pronta entrega. Ele o esmaga, o estripa, o escraviza, o martiriza _ enfim, o decepciona? Você tem o direito de se sentir infeliz mas não decepcionado, pois a decepção supõe um compromisso traído." (Gilles Perrault)


As duas condições essenciais que determinam o modo capitalista de produção são: (1) a existência de capital, conjunto de recursos que se aplica na compra de meios de produção e força de trabalho e (2) existência de trabalhadores livres, que vendam sua força de trabalho em troca de salário. Definem-se assim as duas classes sociais básicas: a dos capitalistas e a dos assalariados.

Outros elementos que caracterizam o capitalismo são a acumulação permanente de capital; a distribuição desigual da riqueza; o papel essencial desempenhado pelo dinheiro; a concorrência (embora modificada pela concentração monopolística); a inovação tecnológica ininterrupta e surgimento e expansão das grandes empresas multinacionais.

Em pouco tempo, entretanto, o liberalismo econômico mostrou suas imperfeições: os mercados consumidores não cresciam na mesma proporção que a capacidade produtiva das indústrias. Além da grande depressão da década de 1930, o capitalismo do século XX passou a manifestar crises que se repetem a intervalos. O período que as separa torna-se progressivamente mais curto. O desemprego, as crises nos balanços de pagamentos, a inflação, a instabilidade do sistema monetário internacional e o aguçamento da concorrência entre os grandes competidores caracterizam as chamadas crises cíclicas do capitalismo.

O sistema capitalista tampouco garante meios de subsistência a todos os membros da sociedade. Pelo contrário, é condição do sistema a existência de uma massa de trabalhadores desempregados, que Marx chamou de exército industrial de reserva, cuja função é controlar, pela própria disponibilidade, as reivindicações operárias. O conceito de exército industria de reserva derruba, segundo os marxistas, os mitos liberais da liberdade de trabalho e do ideal do pleno emprego.



"O mundo dominado pelo capitalismo é um mundo livre; o capitalismo, atualmente chamado de liberalismo, é o mundo moderno. É o único modelo de sociedade. Senão o ideal, pelo menos o mais satisfatório. Não existe e jamais existirá outro."


É este o canto unânime que entoam não só os responsáveis econômicos e a maior parte dos responsáveis políticos, mas também os intelectuais e os jornalistas que têm acesso às principais mídias: audiovisuais, a imprensa, a grande edição, geralmente nas mãos de grupos industriais ou financeiros. Eis a liberdade de expressão com que se deliciam os que apoiam nosso sistema liberal.

A virtude do capitalismo reside na sua eficácia econômica. Mas em benefício de quem e a que preço? Nos países desenvolvidos, que são a vitrine do capitalismo (enquanto o resto do mundo será mais ou menos os fundos do armazém), examinemos os fatos.

Após o seu grande período de expansão no século XIX, devido à industrialização e a à feroz exploração dos trabalhadores, o movimento que se acelerou ao longo das últimas décadas levou à quase extinção o pequeno produtor rural, devorado pelas grandes explorações agrícolas, trazendo consigo a poluição, a destruição das paisagens e a degradação dos produtos (e tudo isto à custa do contribuinte, uma vez que a agricultura foi sempre subsidiada); o quase desaparecimento do pequeno comércio, particularmente de alimentação, em benefício da grande distribuição e dos hipermercados, a concentração das indústrias em grandes empresas nacionais e depois transnacionais que tomam tais proporções que chegam a ter tesourarias mais importantes que as dos Estados e fazem a lei, tomando medidas para reforçar o seu poder sem controle, como por exemplo através do Acordo Multinacional sobre o Investimento (AMI), acima dos Estados.

Os dirigentes capitalistas podiam temer que o desaparecimento do pequeno produtor rural, do artesanato e da pequena burguesia industrial e comercial reforçasse as fileiras do proletariado. Mas o "modernismo" veio trazer-lhes o êxito total com a automação e a informática. Após o despovoamento dos campos, assistimos agora ao das fábricas e dos escritórios. Como o capitalismo não sabe nem quer partilhar o lucro e o trabalho, chegamos inelutavelmente ao desemprego e à sua corte de desastres sociais.

Os defensores do liberalismo não se cansam de citar os exemplos da Inglaterra e do EUA _ os campeões do sucesso econômico e da luta contra o desemprego. Se a destruição das proteções sociais, a precariedade do emprego, os baixos salários e a não indenização dos desempregados, fazendo-os desaparecer das estatísticas, são o ideal, não creio que este seja o ideal dos trabalhadores deste país.

Nos EUA, paraíso do capitalismo, 30 milhões de habitantes (mais de 10% da população) vivem no limiar da pobreza, e, entre esses, os negros são maioria.

A supremacia dos Estados Unidos no mundo, a propagação imperialista e uniformizadora do seu modo de vida e da sua cultura só podem satisfazer os espíritos servis.

Para ajudar os investimentos produtivos, na indústria ou os serviços, o capitalismo pretende torná-los competitivos em face dos investimentos financeiros e especulativos a curto prazo. Como? Impondo taxas a estes últimos? De forma alguma: baixando os salários e os custos sociais!

Preso no círculo infernal da concorrência, o Terceiro Mundo deverá baixar ainda mais os custos e mergulhar um pouco mais os seus habitantes na miséria.

Até que o mundo inteiro esteja nas mãos de umas poucas multinacionais, majoritariamente americanas, e que praticamente não haja necessidade de trabalhadores, senão de uma elite de técnicos... o problema para o capitalismo será então o de encontrar consumidores fora desta elite e dos seus acionistas... e de suportar a delinquência nascida da miséria.

A acumulação de dinheiro _ que não passa de uma abstração _ impede a produção de bens úteis a todos.

Já falamos do capitalismo no "paraíso". E quanto ao seu "inferno", o Terceiro Mundo?

As devastações, no espaço de um século e meio, pelo colonialismo e o neocolonialismo, são imaculáveis, como impossível é calcular os milhões de mortos que lhe são imputáveis. Todos os grandes países europeus e os EUA são culpados. Escravaturas, repressões impiedosas, torturas, expropriações, roubos das terras e dos recursos naturais pelas grandes companhias, criação ou desmembramento artificial de países, imposição de ditaduras, monoculturas substituindo as culturas tradicionais, destruição dos modos de vida e das culturas ancestrais, desmatamento e desertificação, desastres ecológicos, fome, êxodo das populações rumo às megalópoles, onde as esperam o desemprego e a miséria.

As estruturas utilizadas pela comunidade internacional para regular o desenvolvimento das indústrias ou do comércio estão inteiramente nas mãos e ao serviço do capitalismo: o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Organização de Cooperação e desenvolvimento, a Organização Mundial do Comércio. Estes organismo serviram apenas para endividar os países do Terceiro Mundo e para lhes impor o credo liberal.


Quais são os meios de expansão e de acumulação do capitalismo? A guerra, a repressão, a espoliação, a exploração, a usura, a corrupção, a propaganda.

A guerra contra os países rebeldes que não respeitam os interesses ocidentais. Os EUA não pararam de praticar uma política de acumulação de armas (que proíbe aos outros). Assistimos ao exército deste imperialismo em todas as intervenções diretas ou indiretas dos EUA na América Latina e particularmente a América Central, na Ásia, no Vietnã, no Timor, na Guerra do Golfo etc. A guerra também pode tomar a forma de embargos contra os estados indóceis (Cuba, Líbia, Iraque), que são mortíferos para as populações.

A espoliação é a causa evidente da utilização da força. As práticas do capitalismo são próximas da máfia; é com certeza por isso que esta se prolifera tão bem em seu terreno. Tal como a máfia, o capitalismo protege os dirigentes desavergonhados que permitem que seus países sejam explorados pelas grandes transnacionais. deste modo, ele consolida _ quando não é ele mesmo que as instá-la _ as ditaduras, mais eficazes na proteção das empresas do que a democracia.

A usura, outro procedimento mafioso. Assim como a máfia faz empréstimos a comerciantes que nunca conseguem se livrar de suas dívidas, os países são estimulados a investir em algo como armas, e estes são obrigados a pagar eternamente os juros acumulados da sua dívida; passa-se assim a ser dono da sua economia.

Repressão e exploração andam juntas: repressão anti-sindical sempre praticada nas empresas, sindicatos criados pelos patrões e repressão contra qualquer contestação operaria radical. Sabemos desde Marx que a exploração do trabalho é o motor do capitalismo.

A corrupção. As multinacionais dispõem de uma rede de influências tal sobre os responsáveis públicos ou privados que abafam qualquer resistência com os seus tentáculos de polvo.

A propaganda. Para impor o seu credo e e justificar seus delitos e crimes sangrentos, o capitalismo sempre invoca ideais generosos: defesa da democracia, da liberdade, luta contra ditaduras "comunistas", quando na verdade, ele apenas defende os interesses de uma classe poderosa. Essa propaganda é difundida por autoridades econômicas e políticas, por uma imprensa e por meios de comunicação.


O capitalismo é o pior assassino de massas da história, mas um assassino sem rosto nem código genético e que opera impunemente há vários séculos em cinco continentes... Que adversário real pode existir ainda? A multidão civil envolvida no processo! A multidão daqueles que foram deportados da África para a América, esmagados nas trincheiras de guerras imbecis, torturados até à morte, fuzilados no Muro dos Federados, massacrados às centenas de milhares na Indonésia, praticamente erradicados tal como os índios, assassinados em massa na China... De todos esses, as mão dos vivos receberam a chama da revolta do homem negado de sua dignidade. Mão inertes dessas crianças do Terceiro mundo que a má nutrição mata ás dezenas de milhares; mãos descarnadas dos povos condenados a reembolsar os juros de uma dívida que seus dirigentes roubaram, mãos trêmulas dos excluídos cada vez mais numerosos... Mãos de uma trágica fragilidade e no momento desunidas. Mas elas não podem deixar de voltar a se unir um dia. E, nesse dia, a chama que elas transportam incendiará o mundo.


(Pesquisa realizada com "O livro negro do capitalismo" e a enciclopédia Barsa)






domingo, 5 de abril de 2009

E agora, Karl Marx?

O Comunismo foi uma idéia perfeita que tiveram. E justamente por ser tão perfeita, nunca deixará de ser uma idéia, um sonho, uma utopia, para se tornar realidade. É com tristeza e decepção que digo isto. Seria maravilhoso viver em um mundo livre de desigualdades, aproveitando as coisas realmente boas da vida sem futilidades, consumismo, violência, corrupção, manipulação... E até mesmo sem governo. Mas o ser humano não é evoluído o suficiente para isso.

Quando Karl Marx e Friedrich Engels desenvolveram essa idéia, afirmavam que entre a sociedade capitalista e a comunista estaria o período revolucionário (também conhecido como socialismo). Depois da revolução, onde a classe trabalhadora tomaria o poder, devia-se instalar a “ditadura do proletariado”, com caráter provisório até que a sociedade atingisse sua “fase mais elevada”. Aí já não seria mais necessário um governo, pois tudo seria de todos (fiz um resuminho básico, ta gente?).

As tentativas de se instalar o socialismo, como podemos observar ao longo da história, não saíram como planejado. União Soviética (até 1991), China e Cuba são exemplos disso. É claro que cada caso é um, mas em geral o que vimos foram ditaduras bem rígidas e nada do “definhamento do estado” acontecer. Eles nunca saíram da fase da ditadura (que já não era mais do proletariado) e nunca atingiram o comunismo. Vários são os motivos para isso ocorrer, mas irei enumerar alguns:

1º_ A interferência dos países capitalistas, sobretudo dos Estados Unidos. Quando um país de auto-intitula socialista ou comunista está automaticamente se tornando inimigo deles. Convenhamos que não é nada fácil ser inimigo declarado da maior potência econômica do mundo. Que o diga a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que se definhou na Guerra Fria tentando competir com o poderio (bélico, nuclear, espacial, etc...) dos EUA. Que o diga Cuba que sofre até hoje as conseqüências de um bloqueio econômico absurdo (em breve postarei sobre Cuba e o bloqueio estadunidense, já estou preparando ^^).

2º_ Hoje, quando alguém defende o comunismo é chamado de doido, revoltado. Antes era ainda pior. Dizia-se que os comunistas tinham pacto com o demônio, que o vermelho do símbolo representava o inferno, que eram desordeiros, que comiam criancinhas (comer mesmo, de mastigar e digerir). Detalhe: isso era dito pelos representantes do governo e enfatizado pela Igreja (que era corrupta e vivia às custas do estado), que tinha muito mais influência do que tem hoje.
Na verdade o comunismo se baseia na justiça e na idéia que não faz sentido uns terem tanto e a maioria não ter em o básico para sobreviver.
Uma idéia totalmente distorcida pelos meios de comunicação que alienavam (e ainda alienam) as pessoas. Como dizia Hitler (um psicopata muito inteligente que marcou a história): “uma mentira dita várias vezes torna-se verdade.”

3º_ Depois da revolução e de instalar a ditadura, o que fazer para que ocorra o definhamento do estado? Boa pergunta... Eis um fato: “ser oposição é fácil, difícil é ser governo” (Lula). Quando se tem o poder é difícil se manter fiel aos ideais sem se corromper e sem deixar de pensar como proletário e passar a pensar como elite.

4º_ O ser humano, definitivamente, não é perfeito. Nós não estamos imunes a sermos corrompidos pelo meio; somos individualistas, egoístas e ambiciosos (poucos são aqueles que mesmo tendo isso dentro de si conseguem ser mais humanos e pensar um pouco no outro, se indignando diante das injustiças; a esses poucos dá-se o nome de revolucionário). Além disso, temos uma forte tendência a sermos violentos se não tivermos nada que nos puna por isso. Se não existissem leis, estado e religião para mandar nas pessoas e impor valores (muitas vezes hipócritas, mas necessários) as pessoas agiriam por instinto, fariam o que quisessem e o mundo seria uma bagunça. Imagine uma cena dessas de filme quando uma cidade é saqueada: pessoas roubando na cara dura, invadindo residências, batendo e matando por nenhum motivo aparente, estuprando mulheres e crianças... O mundo seria assim se não houvesse um estado com leis para punir e as religiões para dizer que essas atitudes são erradas e levam o sujeito para o “inferno” (ou qualquer coisa semelhante).

O comunismo só existe no mundo das utopias. A idéia de paraíso é uma idéia comunista. O céu vai ser de todos, viveremos em paz, sem sofrimento, sem maldade, sem rivalidade... Mas nem o céu seria comunismo de fato, pois Deus continuaria sozinho no poder, como nas ditaduras terrestres... Viajei um pouco agora, mas voltando ao que interessa: uma sociedade com total IGUALDADE é impossível. Mas então, por que eu luto? Luto por JUSTIÇA, o que é bem diferente.
Qual a diferença entre igualdade e justiça? O que fazer para ter uma sociedade mais justa? Se o comunismo não funciona, devemos cruzar os braços para as catástrofes causadas pelo capitalismo? Bom, esse texto já está grande demais. As respostas para essas perguntas ficam para uma próxima postagem...
“Hasta la vitória, siempre!”