terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ahmadinejad


O presidente Lula firmou um acordo entre Brasil e Irã durante a visita do polêmico Ahmadinejad ao nosso país. O Brasil passou a apoiar que o Irã tenha maior liberdade de trabalhar no enriquecimento de urânio para obtenção de energia e o Irã a defende que o Brasil tenha uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU (para mais detalhes: http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=22694306). Durante tal visita só se ouve comparações entre o presidente iraniano e Hitler, acusações de terrorismo e homofobia, entre outras ofensas. O que eu penso a respeito disso se resume em uma só palavra: HIPOCRISIA. Ele bem que se encaixa na maioria das acusações, mas "pera lá"! Odeio injustiças e penso que crucificar uma pessoa e se fingir de cego diante do que tantos outros fazem é muito injusto. Para deixar bem clara minha opinião, debaterei os pontos mais importantes sobre o assunto.

1º A VISITA: O Brasil mantém relações diplomáticas e parceria comercial com o Irã. O país têm influência no mundo árabe e nós brasileiros precisamos desse importante mercado. Trata-se de um jogo de interesses, coisa banal na política. Fazer protesto não vai mudar isso.

2º HOMOFOBIA: Sou a favor que cada um tenha o direito de viver como quiser, sou contra qualquer tipo de preconceito. Mas os homossexuais tem que entender que duas das maiores religiões do mundo condenam a orientação sexual deles: o cristianismo e o islamismo (sem falar no judaísmo que, tratando de interesses políticos, até se esquecem disso). A Bíblia é bem clara: segundo ela, homoxesualismo é pecado e ponto. Portanto, acredito que os gays devem lutar pelos seus direitos sim, mas querer que todo mundo tenha mente aberta, infelizmente, é impossível. Isso bate de frente com religiões e não existe nada que influencie tanto a maneira de pensar das pessoas como as religiões. Se fossem lutar contra todos que consideram o homossexualismo algo errado o Papa seria considerado homofóbico e a maioria dos cristãos que tem a Bíblia como verdade inquestionável também. O problema é que no caso do Irã e de outros países do Oriente Médio a religião se mistura (e muito) à política, resultando em ditaduras ultra-conservadoras que ferem os direitos individuais.

3º DIREITOS HUMANOS: Nessas ditaduras, como em qualquer outra, não se respeitam os direitos humanos. Se o comportamento de alguém vai contra o governo (e, no caso, contra o islamismo)a pessoa pode sofrer qualquer tipo de punição que o ditador determinar, inclusive a morte. No Irã é assim, no Brasil foi assim durante o regime militar. Quantas pessoas estão desaparecidas até hoje... Na realidade, nenhum país do mundo cumpre com a declaração dos direitos humanos, nem o todo poderoso Estados Unidos. Teoricamente todos os seres humanos tem direito à vida e isso inclui não apenas a "liberdade" gerada por nosso democrático capitalismo, mas também alimentação, assistência à saúde, educação de qualidade, terra, habitação... Ítens básicos para a sobrevivência de um ser humano, no entanto muitos não tem acesso a eles.

4º TERRORISMO: Depois do atentado de 11 de setembro as palavras "árabe" e "muçumano" viraram sinônimos de "terrorista". Porém, assassinatos em larga escala não recebem o mesmo nome quando realizados por outras etnias. Quem é (ou foi) mais terrorista, digamos assim, Ahmadinejad, Osama, Hitler ou Bush? Eu não sei, pois penso que qualquer pessoa que derrama sangue humano inocente é terrorista, seja esse sangue judeu, árabe, cristão, índio, ateu...
O terrorismo do Oriente Médio é uma reação que mata muitos inocentes. Mas é preciso entender que é uma reação à ações que também mataram muitos inocentes.

5º HOLOCAUSTO: É inegável. Ele aconteceu e foi horrível. Mas concordo com Armadnejad em uma coisa: também sou contra a criação do estado de Israel. sempre achei um absurdo a idéia de expulsar um povo de seu país para criar um país de judeus. Seria o mesmo que expulsar os brasileiros daqui para que nosso país volte a ser habitado pelos índios, apesar de nós não termos culpa das sacanagens que os portugueses fiseram com eles no passado. Na verdade a criação de Israel, assim como todas as decisões tomadas pelo homem, foi totalmente motivada por questões políticas e econômicas, sendo o holocausto apenas a justificativa ideológica, ou seja, um pretexto. O movimento sionista foi duplamente injusto: além de tirar pessoas inocentes de seus lares, não respeitaram a divisão estabelecida pela ONU, aproveitando da inferioridade econômica e militar dos Palestinos. Depois os Palestinos tentam reagir e são chamados de que? TERRORISTAS!

Poderia continuar escrevendo sobre o assunto por horas, mas por hoje basta. Digo e repito: não estou defendendo Ahmadinejad, mas sim criticando o ponto de vista da mídia e da sociedade que tende a ser tão preconceituoso quanto o próprio presidente do Irã.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aqui na terra tão jogando futebol...



A música é uma crítica á ditadura militar. Felizmente, desse mal não perecemos mais, mas ainda pode-se dizer que "a coisa aqui tá preta". Tem "muita mutreta pra levar a situação, que a gente vai levando de teimoso e de pirraça" e "a gente vai se amando que, também, sem um carinho ninguém segura esse rojão".


Meu Caro Amigo

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque / Francis Hime

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um
segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

domingo, 15 de novembro de 2009

"O Rio conseguirá vencer o crime antes das olímpíadas?"


Essa pergunta feita pela revista Time está longe de ser respondida, mas a corrida contra o tempo para que a resposta seja sim já começou. Tratando-se de um evento de tamanhas proporções, a violência no Rio de Janeiro deixa de ser um problema nacional e atinge escala mundial. Se por um lado conquistou a "honra" de sediar os jogos vencendo de países do 1º mundo como Estados Unidos e Japão, por outro tomou para si a enorme responsabilidade de fazer da cidade um lugar mais seguro. Bandidos derrubando helicópteros policiais a cerca de 2 milhas do Maracanã é um exemplo de situação inaceitável e que não deve se repetir daqui a sete anos de jeito nenhum.
O governador Sérgio Cabral já sente o peso da responsabilidade e está tomando medidas para reverter esse quadro. No decorrer da história houveram várias tentativas de transformar o Rio. A primeira aconteceu por volta de 1808, quando Dom João e a corte portuguesa fugiram para lá. Morros foram literalmente arrancados do cenário,brejos soterrados, leis foram estabelecidas contra a "desordem" dos escravos e até janelas das casas tiveram que ser trocadas. Tudo para deixar a cidade com cara de capital européia. Mais tarde Rodrigues Alves cismou que os cortiços que ocupavam o centro do Rio de Janeiro deveriam ser demolidos pois enfeiavam o local. Seu objetivo era transformar o Rio em "cidade maravilhosa". De fato, o título pegou, mas as demolições de cortiços resultou nas favelas. E é justamente de lá que vem o maior problema que as autoridades estão tendo que enfrentar: o crime organizado.
Apesar de não dar pulinhos de alegria por causa das olimpíadas do Brasil (o texto anterior mostra porque) vejo o lado positivo disso. Finalmente o problema da violência está começando a ser tratada com a devida importância. Apenas espero que as autoridades não se esqueçam das duas questões mais importantes á respeito da violência e do tráfico de drogas:
  1. Não tem como acabar com a violência sem combater a injustiça social. Ela é a principal causa da própria violência. Se continuarem fazendo de conta que não enxergam isso, nada irá mudar.
  2. Quem financia o tráfico e, consequentemente a violência, é o próprio consumidor de drogas e estes são na sua maioria pessoas de classe média ou alta. Punir quem trafica mas "aliviar" para quem cheira ou fuma é uma enorme contradição.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Copa do Mundo no Brasil


Fiquei séculos sem postar mas finalmente voltei! Culpa da faculdade que tem tomado todo meu tempo e sufocado meu espírito criativo. E eu não voltei porque acabei tudo que tinha para fazer, não. Tenho um trabalho de cálculo para terminar e uma prova dessa mesma matéria para estudar. Mas fiz um texto sobre a copa de 2014 no Brasil para o projeto de português, achei que ficou legal e resolvi postá-lo. Quando eu tiver mais tempo (e inspiração), posto algo.

No ano de 2014 o Brasil irá sediar a Copa do Mundo. As doze cidades onde se realizarão os jogos já foram selecionadas e o valor total estimado para reforma e reconstrução dos estádios é R$ 4, 391 bilhões.

A mídia enaltece a cada instante o proposto evento, os políticos vibram com o fato de que todos estejam olhando para o nosso país e o povo comemora junto, mesmo que não vá mudar muita coisa para a maioria: vão assistir aos jogos pela televisão de qualquer maneira.

Os defensores do projeto alegam valer a pena gastar bilhões já que o país ganha em infra-estrutura, turismo, geração de empregos diretos e indiretos, além de virar o centro das atenções mundiais por certo tempo. Será que vale mesmo? Empregos são gerados sim, mas passageiros. Aquela sensação de que todos estejam olhando para o país é interessante, mas a esse preço? O país não teria outras prioridades?

Ao invés de reformar estádios de futebol seria mais útil reformar escolas que estão em péssimo estado de conservação e hospitais que não tem a mínima condição de atender seus pacientes. Nesse tipo de infra-estrutura vale a pena investir, pois além de gerar empregos contribui para a qualidade de vida da parcela menos favorecida da população. Infelizmente esse tipo de investimento não gera uma repercussão mundial.

Quem realmente ganha com a Copa são as empreiteiras encarregadas de realizar as obras e os políticos que podem aproveitar a oportunidade para fazer desvio de verba, lavagem de dinheiro, super faturamento e todo tipo de corrupção.

O Brasil vive até os dias de hoje sob a política “pão e circo”: seu povo dá mais importância ao futebol do que aos problemas sociais. Isso se deve aos apelos da mídia e atende aos interesses de políticos corruptos que preferem um povo ignorante e alegre à cidadãos críticos que exijam justiça.