quarta-feira, 29 de julho de 2009

O poder das religiões




"O poder ilimitado corrompe a mente de quem o possuem"


Willian Pitt




É impressionante o poder que as religiões exercem sobre a humanidade. Acredito que toda essa influência seja devido ao oculto, ao misterioso, justamente por ter um teor divino e não humano. Sim, porque nenhuma instituição formada por homens comuns consegue convencer tantas pessoas por tanto tempo como acontece com as religiões. Esse poder pode ser usado para o bem ou para o mal. É confortante acreditar em algo que dê esperança, que faz você superar as dificudades. É bom ter a quem recorrer na hora do aperto, especialmente se esse alguém tem poderes ilimitados para te ajudar. Muitas pessoas mudam de vida graças a alguma igreja, saem das drogas, da criminalidade e ganham um motivo para viver. Admiro esse tipo de trabalho feito em algumas igrejas, ajudando quem precisa e seguindo os ensinamentos de Jesus: "amar o próximo como a ti mesmo". No entanto em muitos lugares vejo um cristianismo egoísta, que em nenhum momento se fala em ajudar ninguém a não ser a si mesmo. Valorizam mais os valores moralistas (vestimentas, comportamento, proibições do que não é bem visto pela igreja) do que o interior de cada um, bem diferente do que Cristo faria. Quem conhece pouco de bíblia sabe disso. Quem não conhece nada, fique sabendo: o que Jesus mais fez foi pregar sobre o amor.


Mas nem sempre os que se dizem cristãos lembram disso. Não vou nem entrar na questão do tal "evangélio da prosperidade" _ não espiritual, material mesmo_ que vem sendo disseminado por aí. É lastimante. Exatamente aí entra o lado negativo da religião: quando nas mãos de pessoas espertas e sem caráter pode ser usada para alienar massas (formadas por pessoas simples e ignorantes) e convencê-las do que quiserem. Para quem acha que isso é novidade está enganado. A igreja católica já vendeu muita "vaguinha no céu" antigamente. Hoje, depois de não sei quantos anos de reforma protestante é a vez deles cometerem os mesmos erros que criticavam. E esse tipo de atitude não é de exclusividade cristã. Taí o hinduísmo que não me deixa mentir. Uma religião milenar que divide a sociedade em castas que traduzindo para a nossa língua correspondem as classes sociais. A diferença é que no mundo capitalista não hindu temos a impressão de liberdade, ou seja, é possível melhorar de vida e mudar de classe desde de que se esforce muito e tenha bastante sorte, se for honesto (pois a sociedade não vai te proporcionar condições favoráveis nem oportunidades justas para que você consiga) ou, se for desonesto, bem, neste caso vai ter um monte de gente que te ajude mas eu não estou aqui para ensinar ninguém a fazer isso (até porque nem é preciso!). Mas voltando ao assunto: aqui a ascenção social não tem nada a ver com religião (ou ao menos não deveria ter). Já os hindús acreditam que se você nasceu para catar cocô vai catar cocô para o resto de sua vida, não pode mudar isso. Mas tem a parte boa: talvez na próxima reencarnação você nasça em uma casta rica e se dê bem. É ou não é uma maneiro de justificar (e não deixar que se cogite mudar) a miséria em que a maioria da população indiana vive? Hoje o sistema de castas é proibido por lei, o que já é um avanço, mas a mentalidade de um povo que de vem há séculos sofrendo lavagem cerebral religiosa não vai mudar de uma hora para a outra.


O que dizer dos homens bombas que matam e morrem em nome de Deus, acreditando que irão para o paraíso e lá terão não sei quantas virgens maravilhosas esperando por eles? Enquanto isso os coitados nem imaginam que estão sendo usados em uma guerra de interesses muito mais relacionados à política e economia do que à religião.


Outro problema é a intolerância religiosa. Pessoas se matando só porque são de religiões diferentes. Não são poucos os conflitos que acontessem hoje no mundo por causa disso. Na verdade esses conflitos têm sempre um fundo político e econômico (briga por território, riquesas naturais, e por aí vai...). Só para citar alguns: muçumanos e judeus em Israel, católicos e protestantes na Irlanda do Norte, hindús e muçumanos na Índia... Como se não bastasse essa mania que humanos têm de brigar entre sí as vezes as religiões cumprem o papel de atiçar ainda mais.


Não estou dizendo que religião é algo ruim. O problema é quando a influência dela é usada para deixar as pessoas alienadas, capazes de fazer coisas horríveis. O negócio é questionar sempre para não entrar nessa roubada! Mas infelizmente sempre vai ter gente ignorante o suficiente para se deixar acreditar em qualquer coisa.


Jesus pregou a bondade, o amor, disse para ajudarmos o próximo; Buda falou de desprendimento dos bens materiais para se alcançar a iluminação; Gandhi defendeu que as pessoas deveriam viver em harmonia respeitando as diferenças religiosas umas das outras... Independente da religião podemos ser pessoas melhores.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pobreza X Aprendizado


“Não se trata de altruísmo, isso é um problema econômico tanto quanto social. A educação é o que constrói a capacidade intelectual de um país, que é a base para o desenvolvimento.”


A relação entre pobreza e aprendizado é conhecida, mas os cientistas ainda tentam explicar como isso ocorre.BOSTON, EUA -


Crianças criadas em condições de pobreza têm mais dificuldade para aprender, não só por questões socioeconômicas, mas também biológicas. Pesquisas realizadas nos últimos anos comprovam que a pobreza tem impacto direto no desenvolvimento do cérebro, justamente no período mais crítico da infância, deixando seqüelas neurológicas que diminuem a capacidade de aprendizado e que podem durar para a vida toda. Em países onde a pobreza é disseminada, como o Brasil, as pesquisas trazem implicações importantes para a avaliação de performance escolar e para políticas de inclusão voltadas para alunos de baixa renda, como o sistema de cotas e o Programa Universidade para Todos (ProUni). Pelo que estão descobrindo os neurobiólogos, o fraco desempenho dos alunos da rede pública tem raízes que vão muito além do que acontece na sala de aula.Os resultados dessa relação entre pobreza e aprendizado já são bem conhecidos dos educadores, mas os cientistas ainda estão longe de explicar como isso ocorre biologicamente. Ou, nas palavras do pesquisador Jack Shonkoff, da Universidade Harvard, “como é que a pobreza consegue atravessar a pele e chegar ao cérebro”.Uma explicação simples seria dizer que crianças pobres freqüentam escolas piores, têm menos acesso a informação e cultura, portanto é natural que aprendam menos do que as outras, mais privilegiadas. Nesse caso, é fácil jogar a culpa nos professores ou na falta de dedicação dos próprios alunos. Porém, segundo os cientistas, é preciso considerar também que esses alunos já entram no sistema em desvantagem, por mais dedicados que sejam.A capacidade do ser humano de memorizar, lembrar e aprender novas informações depende de uma constante reconfiguração de sinapses - as ligações entre um neurônio e outro, através das quais são transmitidas e armazenadas as informações no cérebro. A maior parte dos neurônios são formados "in útero", durante o desenvolvimento embrionário e fetal, mas a planta básica de conectividade dessas células só é estabelecida nos primeiros anos de vida, à medida que a criança aprende a falar e raciocinar.Numa situação de pobreza, em que há menos estímulos, piores condições de saúde, má nutrição, maior exposição a substâncias tóxicas, abuso e outras dificuldades domésticas, esse desenvolvimento primordial do cérebro pode ser prejudicado. “Uma vez que esses circuitos são fechados, não dá para voltar atrás e reconfigurar o sistema. A criança vai viver com os circuitos defeituosos para sempre”, afirma Shonkoff, diretor-fundador do Centro sobre Desenvolvimento Infantil de Harvard.O assunto foi tema de um simpósio da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) na semana passada, em Boston. “Não há dúvida de que ser pobre é ruim para o cérebro”, disse a organizadora do debate, Martha Farah, da Universidade da Pensilvânia. “Os efeitos sobre a criança são significativos; não se trata de uma mera curiosidade científica.” Estudos mostram, por exemplo, que crianças de três anos de idade cujos pais possuem diploma universitário têm um vocabulário três vezes maior do que crianças cujos pais não completaram o ensino básico. “Com dois anos você já pode notar a diferença”, disse Shonkoff. Mesmo entre ratos de laboratório, filhotes que recebem menos lambidas e carícias de suas mães após situações de estresse saem-se pior em testes de memória e aprendizado.Segundo Martha, isso cria um círculo vicioso pelo qual crianças pobres vão mal na escola, não conseguem um bom emprego para melhorar de vida e acabam tendo filhos que vão crescer na mesma desvantagem. Há um custo também para a saúde: crianças pobres são mais suscetíveis a doenças como diabetes, obesidade, dependência química e problemas cardiovasculares.


Caminho com volta


As seqüelas da pobreza no desenvolvimento cerebral, como disse Shonkoff, são profundas, mas não totalmente irreversíveis. Estudos com animais mostram que o cérebro tem “plasticidade” suficiente para se recuperar, se os estímulos positivos para que isso ocorra forem também suficientes. No caso dos seres humanos, esses estímulos podem variar desde um simples programa de leitura ou assistência social até a oportunidade de estudar numa boa escola - onde entram os programas de inclusão para alunos carentes.Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, estudantes de escolas públicas que receberam bônus para passar no vestibular se saíram melhor no primeiro ano de estudo do que os alunos “tradicionais”, que não receberam o benefício. Eles tiveram notas melhores em 31 dos 56 cursos avaliados no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais) da universidade.“Quanto mais velho, mais difícil fica voltar atrás, mas não há evidências de que a partir de um certo momento seja tarde demais”, explicou a pesquisadora Courtney Stevens, da Universidade do Oregon. “O importante é lembrar que, se você quer construir uma boa casa, é melhor investir na fundação do que tentar reformar tudo depois.” Por isso, dizem os pesquisadores, é essencial que a intervenção seja feita de maneira preventiva, o quanto antes na vida da criança. “Não se trata de altruísmo”, completou Shonkoff. “Isso é um problema econômico tanto quanto social. A educação é o que constrói a capacidade intelectual de um país, que é a base para o desenvolvimento.”

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Recessão leva 90 milhões de pessoas à extrema pobreza, diz ONU


Gente, olhem que coisa mais triste =(

A recessão econômica reverteu 20 anos de declínio da pobreza mundial e deve colocar em 2009 mais 90 milhões de pessoas no ranking dos que passam fome no planeta, um aumento de seis por cento em relação aos dados atuais, informou a ONU nesta segunda-feira.
As pessoas que vivem na pobreza (definida pela ONU como as que têm rendimentos de menos de 1,25 dólares por dia) já sofreram bastante com a crise financeira e econômica nos últimos dois anos.
Intitulado "Relatório de Metas de Desenvolvimento do Milênio", o documento também alerta que o recente declínio na ajuda externa (apesar das promessas de países ricos de aumentar o fluxo de recursos) provavelmente vai causar mais doenças e agitação social no hemisfério sul.
De acordo com dados da ONU, em 1990 a proporção de pessoas que passavam fome era de 20 por cento da população mundial, mas em 2005 caíra para 16 por cento (número que refletiu a expansão do comércio mundial, especialmente na Ásia). A situação começou a mudar em 2008, em parte como consequência do aumento dos preços dos alimentos no mundo, diz o relatório. O relatório indica que 17 % dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão classificados como extremamente pobres no fim de 2009. Embora o custo dos produtos básicos tenha voltado a cair por volta do fim do ano passado, isso não tornou os alimentos mais acessíveis para a maioria das pessoas no mundo.
Uma vez recebi por email um texto de um inconformado (assim como eu) onde dizia que seria necessário cerca de 40 bilhões de dólares para ACABAR com a fome no mundo. O que são 40 bilhões de dólares para o MUNDO? Mas nem fotos de pessoas extremamente miseráveis e desnutridas são capazes de sensibilizar a ponto de resolver o problema. No entanto em uma semana líderes das principais potências tiraram da cartola 2.2 TRILHÕES de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia, ou seja, para salvar empresas da crise.
Eu não consigo entender como a VIDA pode ser tão desprezível... As vezes até entendo mas me recuso a me conformar com tal crueldade...
"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."