terça-feira, 26 de setembro de 2017

"Gaga: Five Foot Two" _ Como Lady Gaga me ensinou sobre superação e resistência

Gosto de biografias. Gosto de documentários. Gosto até de reality shows. Gosto de conhecer, mesmo que minimamente, alguma parcela de humanidade por trás das figuras públicas. Gosto de pensar que por trás de todo e qualquer glamour há sempre um ser humano, seja bom ou ruim, mas um ser mortal, como todos os outros. Nem sempre por trás das máscaras o que vemos nos agrada, mas as vezes temos boas surpresas. E para mim foi assim com Gaga: Five Foot Two, documentário da Lady Gaga para a Netflix, lançado semana passada. Não sou dessas que vê as coisas assim que saem, geralmente procrastino e só vejo depois que todo mundo já assistiu e o assunto até já saiu de moda. Mas dessa vez, não sei porque, foi diferente.
Eu tinha visto um vídeo com um trecho de entrevista dela (que não tem nada a ver com esse doc) onde ela falava sobre depressão e de como devemos aprender a dizer não para as coisas que não acreditamos/queremos fazer. Foi a primeira vez que ela me chamou atenção de uma forma interessante. Sempre vi na Lady Gaga uma figura exótica que ou devia ser meio maluca ou era alguém desesperada por holofotes. Nada contra, só não entendia bem o que ela queria dizer com aqueles figurinos espalhafatosos (nem me interessava entender). Mas nessa entrevista ela dizia coisas muito sensatas, coisas em que eu acredito, e aí começou a rolar uma identificação.
No dia em que o doc saiu, já vi logo uns prints na internet onde ela dizia que não tinha mais paciência com bobagens de macho, ao se referir à problemas no relacionamento com o até então noivo.

Foi quase amor à primeira vista rs... Mesmo assim, fui assistir sem nenhuma pretensão e simplesmente desmoronei quando aos 12 minutos mais ou menos ela simplesmente solta:

A metodologia por trás do que eu faço é que quando eles querem que eu seja sexy, quando querem que eu seja pop, eu coloco uma porra duma virada nisso para eu sentir que ainda tinha o controle da coisa. Se eu tenho que ser sexy no VMA cantando sobre os paparazzi, eu vou fazer isso enquanto eu fico sangrando no palco para lembrar a todos o que a fama fez com a Marilyn Monroe, a Norma Jeane original. Ou com a Anna Nicole Smith. Ou com…“, Gaga faz uma pausa, olha para o amigo ao lado, lamenta com a cabeça e diz: “Você sabe quem… 

Fui no chão. Comecei a chorar e não parei mais, pois de repente tudo começou a fazer sentido e um sentimento de empatia/sororidade passou a existir ali. Eu que nunca fui fã dela, nunca curti muito suas músicas de repente me peguei querendo muito abraçar e ser amiga dessa mulher foda e maravilhosa que ela é.
Sim, ela é maravilhosa, e como! E ao mesmo tempo tem inseguranças. É forte, mas também tem fraquezas. É inteligente, é engraçada, é exigente. Usa roupas largadas pra ficar em casa e prende o cabelo pra trás igual eu rs... Mas o que mais gostei foi que ela realmente se abriu. Quase não há glamour nesse documentário (ou pelo menos, não é o foco). Há dor, sofrimento, superação, amor, afeto, tristeza, felicidade, nostalgia, família, momentos engraçados... E não é assim a própria vida? 
Eu não quero fazer aqui uma resenha, pois isso se encontra por aí em outros blogs muito maiores e conhecidos que o meu. Escrevo só para registrar minhas impressões pessoais, sentimentos.
Gaga poderia ter sido mais uma Marilyn Monroe, mais uma Whitney Houston ou mais uma Amy Winehouse. Mais uma cantora talentosa que quase sucumbiu às pressões e imposições da indústria fonográfica. Mulheres já sofrem por serem mulheres. O machismo existe, o padrão estético existe, e estamos a todo momento nos comparando e nos desaprovando. Mais que isso: estamos a todo tempo (inconscientemente na grande maioria dele) procurando a aprovação masculina em todos os aspectos de nossas vidas. Soma-se a isso um mercado mega concorrido, controlado majoritariamente por homens e que vê nessas mulheres não artistas mas possibilidades de fazer cada vez mais e mais dinheiro.

“Você trabalha com muitos produtores que eventualmente te dizem ‘você não é nada sem mim’. Oito em cada dez vezes eu fui colocada nesta categoria’”

Felizmente Stefani Germanotta conseguiu desenvolver uma estratégia para lidar com tudo isso e deu a volta por cima. Talvez em partes se deva ao fato de estarmos em novos tempos onde se tem falado sobre empoderamento. Na época da Marilyn, por exemplo, ninguém se falava nisso e embora ela tenha sido muito à frente de seu tempo, não resistiu. Então sim, acredito que falar nisso salva vidas, transforma vivências. É preciso empoderarmos umas às outras, sempre, em todas as oportunidades que pudermos. Fico feliz que para a Gaga não foi tarde demais. Aos 30 anos ela está apenas começando e acredito que venha muita coisa boa por aí. Ao que tudo indica ela será cada vez mais ela mesma e seu talento vem se destacando mais que seus figurinos. Infelizmente nem todas tiveram/tem essa chance. Mas a vitória de cada uma é uma vitória para todas nós.

4 comentários:

  1. "Escrevo só para registrar minhas impressões pessoais, sentimentos." É uma pena, você facilmente poderia ser uma brilhante colunista, difícil seria agradar os(as) Donos(as) dos meios de comunicação.

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  2. Olá Ellen!
    Estou de volta à blogosfera.
    Um forte abraço

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