sábado, 25 de junho de 2016

Vamos falar sobre relacionamentos abusivos. De novo? Sim, de novo.

Para uma relação ser abusiva não precisa ter agressão física.
Muitas vezes uma agressão psicológica faz mais estragos na vida de uma pessoa do que a física.
Mas para uma relação ser abusiva não precisa nem ter agressão. Ou pelo menos, não explícita.
Basta ter abuso.
E o que é abuso?
Abuso é se aproveitar de uma posição de poder e/ou destaque para seduzir pessoas das quais você não deveria nem se envolver emocional e sexualmente, por uma questão de ética profissional?
Sim, isso é abuso.
Mas e se a "suposta" abusada demonstra afeto e/ou atração primeiro, isso ainda é abuso?
Vamos ver as opções: perante a lei essa pessoa já é considerada responsável pelos seus atos? Ou seja, é maior de idade?
Sabemos que não é apenas uma questão de lei, afinal o ser humano é tão subjetivo, não é mesmo? Vamos ver...
Falei de ética profissional pois no caso a "suposta" abusada era cliente do "suposto" abusador. Ela poderia ser sua aluna, sua paciente, sua passageira, não importa... O que importa é que os pais dela pagavam uma instituição em que confiavam e essa instituição pagava o salário do tal sujeito para exercer sua função.
Um profissional que utilizava sua imagem de ético, honesto, o cara pobre que venceu na vida com muito esforço (etc) para fazer propaganda de si mesmo, o tempo todo. O típico herói sofrido brasileiro... 
E foi justamente por essa imagem que a menina se encantou. Mal sabia ela que não passava de um personagem, uma máscara fajuta...
Quem era ela? Uma menina inexperiente, virgem, que nunca tinha tido um relacionamento de verdade... Uma menina sonhadora, romântica, que se apaixonava platonicamente desde sempre e sonhava com um príncipe encantado. Era também bastante tímida e solitária pois nunca se encaixava direito em lugar nenhum e tinha dificuldades para fazer amigos. Era bem insegura, apesar de inteligente, escrevia bem mas falava pouco, era inconformada com o mundo e bem deprimida...
E quem ele era, realmente? Um cara sem escrúpulos, que se aproveitava da confiança e empatia de seus clientes (quase todos menores de idade) para dar um de amigo, desses que beijam e abraçam as amigas (até demais)... Ele já tinha esse histórico de outros lugares em que havia trabalhado, mas sua auto-propaganda tentava abafar esses "boatos". Ele era forçado e exagerado em tudo que fazia. Isso era nítido pra todos, menos é claro para a menina que se sentia solitária e que idealizava amores platônicos. Apesar da péssima interpretação do ator, ela acreditou que ele realmente era o herói que fingia ser.
Ele, que não era bobo nem nada, percebeu logo a admiração da garota e a encorajava ainda mais. Sabendo de sua insegurança e timidez, a elogiava o tempo todo, fazia questão de dizer sempre para ela e também na frente de todos que ela era a melhor, sua preferida. Era um flerte quase escancarado, mas ele o fazia com os requintes necessários para que ninguém conseguisse decifrar totalmente a mensagem. Ficava no máximo uma dúvida no ar: será? Enquanto isso ele a fazia acreditar que era especial. Finalmente alguém tinha percebido o quanto ela era inteligente e interessante.
A amizade dos dois ultrapassou os muros da instituição, foi para as redes sociais. Ele lia os textos dela e comentava, falava dela (elogiando, logicamente) em textos dele, conversavam pelas redes sociais...
Em uma dessas conversas "virtuais", a menina que já tinha quase certeza das intenções do sujeito, com o coração na mão de tanto nervosismo, tomou coragem e resolveu investir. Afinal não aguentava mais aquela dúvida cruel: "será que ele me quer, realmente gosta de mim, ou estou confundindo as coisas?". Ela precisava saber. 
Vocês acham que ele esclareceu as coisas e disse que aquilo era errado e não poderia acontecer? É claro que não. Era justamente isso que ele estava não apenas esperando, mas provocando para que acontecesse a tempos! Chegando nela ele correria o risco de levar um fora e ainda de o assunto vazar, manchando sua reputação de homem bom. Ele deixou que a ovelha fosse "de livre e espontânea vontade" ao próprio matadouro, alimentando nela esperanças, interpretando um personagem... Assim, na pior das hipóteses, mesmo que desmascarado teria o argumento perfeito: "foi ela que quis".
E assim foi. Diante da quase declaração da menina ele marcou um encontro com ela fora da instituição. Queria leva-la direto a um motel, mas diante do susto da menina virgem a levou em um local público, porém escuro e discreto. Ali mesmo ele começou seus joguinhos psicológicos, chegando a fingir que não chegaria as vias de fato, interpretando um falso moralista. Mas isso só durou uns instantes.  Provavelmente pensou que ela iria implorar por um beijo dele e assim ele se sentiria ainda mais fodão. Mas isso não aconteceu. Por um instante a menina pensou que realmente ele a tinha levado ali só para conversarem e chegar a conclusão de que aquilo era errado e não deveria acontecer. Por um instante ela se sentiu envergonhada de querer aquilo. Mas foi um instante só, porque no seguinte ele a surpreendeu com um beijo. De repente o discurso mudou e a desculpa era muito convincente (ao menos para ela): ele também estava apaixonado e não podia resistir.
Ah, já ia me esquecendo de um pequeno detalhe: ele era casado.
Para justificar a traição à esposa (que publicamente ele tanto elogiava), ele inventou para a menina uma história mirabolante onde a esposa (que ele falava para todos ser tão amada e perfeita) era na verdade uma traidora. Sim, ele traia mas a errada era a esposa! Ele era o bonzinho que havia perdoado uma traição suja e desleal da mulher, e agora, nada mais justo que ele viver essa história de amor, afinal de contas estava no seu direito... 
A menina tinha esperança de que ele largasse a esposa traidora e ficasse com ela, mas ele dizia que era muito difícil para ele fazer isso porque amava as duas. Além disso, ela dependia financeiramente dele então ele tinha dó de deixá-la. Então a menina tinha que se conformar com migalhas... Passava a semana inteira esperando o dia em que pudessem se ver. Esses encontros, que não passavam de minutos, as vezes poucas horas, na maioria das vezes se resumiam a sexo. A menina lhe servia de prostituta gratuita, nada mais, mas na cabeça dela aquilo era amor. Pois ele falava incansavelmente que era.
Falando em sexo, a menina que até então era virgem, logo no segundo encontro entrou pela primeira vez em um motel. Afinal, ele não podia se dar ao luxo de ficar se encontrando com ela em locais públicos... Ele usou de sua esperteza e experiência para convencê-la de fazer coisas que normalmente ela não faria, sem precisar forçá-la. Como por exemplo, dizer que era "muito comum" as meninas da idade dela fazerem sexo anal, pois assim não perdiam a virgindade oficialmente. Ela nunca tinha ouvido falar disso, mas como ele disse que era normal, ela acreditou. Ela ainda achava que ele fazia isso por se preocupar com ela ainda não estar pronta para transar (como se aquilo não fosse transar). Pobre iludida menina, não percebia que ele apenas estava ganhando tempo, esperando que ela fizesse 18 anos para que assim ele não pudesse ser responsabilizado criminalmente de ter tirado sua virgindade, caso seus pais descobrissem e o denunciassem. Não satisfeito, ele criou a brincadeira de "só a cabecinha", para que ele a penetrasse na vagina mas não muito. O motivo vocês já sabem... Só que numa dessas, faltando meses ainda para o aniversário da menina ele não resistiu e foi até o fim. A essa altura a sensação de impunidade já havia crescido e ele se permitiu se dar esse luxo, afinal de contas já havia a dominado emocionalmente, tendo certeza que ela nunca o denunciaria.
E ele estava certo, a menina faria de tudo para manter aquilo em segredo. Tanto que passou a se afastar de seus colegas, também clientes do sujeito. À essa altura todos já desconfiavam, mas sendo ela uma menina fechada, não dava intimidade para ninguém tirar a dúvida. Das poucas pessoas que teriam intimidade para isso, ela simplesmente se afastou. 
A vida dela se transformou em um mundinho fechado onde só existiam os dois. Logo ele era seu único amigo, única companhia, único conselheiro, única distração, único tudo... Ela não tinha amigos, não tinha perspectivas, não tinha alegrias e prazeres saudáveis, só tinha migalhas de atenção daquele tarado, que fingia ama-la.
A menina sofria pois era obcecada por ele e tinha ciúmes da esposa. Criou verdadeiro ódio dela, pois na sua cabeça ela era a única coisa que impedia que os dois fossem felizes. É isso que os agressores fazem, colocam vítima contra vítima, e ele sempre sai como bonzinho... Mesmo sofrendo a menina não saía daquilo pois acreditava que o amava mais que tudo e também pois achava que ela não merecia coisa melhor... Como ele sabia que nunca ia largar a esposa por ela, para ninguém dizer que ele era injusto, começou a incentivar que a menina conhecesse outras pessoas.
A maneira como ele a tratava a fez acreditar que aquilo era amor: alguns minutos de sexo semanais. Então, dado o incentivo, ela começou a transar com outros caras. Com qualquer um. Ela sentia que como não era mais virgem não tinha mais valor, então tanto fazia transar com um ou com todo mundo... E inconscientemente ela acreditava que se fosse boa de cama e fizesse tudo que um cara quisesse ele iria amá-la. Ela não era uma tarada, ninfomaníaca, nada disso. Era só uma menina querendo desesperadamente, implorando amor. E ela foi ensinada pelo seu professor que amor se conquistava com sexo. Ela queria ser amada por alguém que não fosse casado e pudesse substituir aquele "amor" que a fazia sofrer tanto, que a deixava tão sozinha em 99% do tempo... Ela queria desesperadamente sair daquela situação, mas sozinha não conseguia, não tinha coragem, não tinha força...
Ele ouvia seus relatos de sexo casual com atenção e excitação. Ela não queria falar daquilo, mas ele insistia, pois lhe dava tesão. Ele dizia que tinha ciúmes, mas não era isso que demonstrava. A menina se degradava a olhos vistos e ele se divertia à suas custas, em todos os sentidos... A menina sofria, muitas vezes chorava nos braços dele, mas nada mudava... Ele não largava a mulher, nem tampouco cogitava romper com a menina... Aquela situação já se estendia por mais de dois anos...
Até que um dia a menina conheceu alguém. O cara se aproximou dela pelo que ela escrevia e por semelhanças ideológicas. Trocaram ideia pela internet um tempo, até que um dia se conheceram. A menina se apaixonou. Ele era mais novo que o sujeito, era solteiro e demonstrou gostar dela. Não parecia ser como os outros que só se aproveitavam e logo pulavam fora. Ele gostava de conversar com ela sobre política, música, e era carinhoso. A menina viu que aquela era a chance de sair daquela relação de sofrimento e solidão e começar uma nova, cheia de esperanças de dar certo... Então ela tomou coragem e terminou com o sujeito lá. Ela não o fez por maturidade ou empoderamento, fez por estar mais uma vez se iludindo e achando que aquele seria seu príncipe encantado. Mas pelo menos ela o fez. Saiu daquela prisão em que se encontrava.
Vocês acham que o sujeito se conformou e desejou que ela fosse feliz? Foi maduro e consciente o suficiente pra deixar ela em paz? Claro que não... Ele a perseguia nas redes sociais, mandava e-mail dizendo que estava com saudades, as vezes ligava tocando a "música dos dois". Anos depois, quando ela já estava em outra relação (também abusiva, afinal o que ela aprendeu como "amor" era uma ideia bem distorcida, sua auto estima ainda era um lixo e ela ainda achava que devia se submeter à todas as vontades dos outros pra ser amada), ele ainda telefonava pra ela de vez em quando, mesmo sabendo que aquilo poderia causar um problema na relação dela. E causava, pois seu namorado da época tinha ciúmes doentios e qualquer coisa era motivo para causar uma briga cheia de acusações e humilhações verbais...
Vocês percebem o quanto esse cara prejudicou a vida dessa menina? O quanto seu "amor proibido" causou e aumentou problemas emocionais e psicológicos nela? Entendem que auto estima e amor próprio dela praticamente não existiam, por isso ela se submeteu a uma série de relacionamentos abusivos? Que ser "a outra" aos 17 anos foi um fantasma cheio de culpas que ela carregou por muitos anos? Que depois que ela percebeu o quanto foi trouxa sentiu nojo e raiva de sim mesma por muito tempo? O quanto vocês acham que foi difícil pra ela se perdoar? O quanto demorou para ela aprender a se amar? O quanto isso lhe custou? Quantos anos desperdiçados sofrendo nas mãos de abusadores? Quanto tempo ela ficou presa nessa gaiola emocional? O quanto ela se desgastou, se arriscou, sofreu e se humilhou? Quantas vezes ela quis morrer, só pra se livrar da dor de estar viva?

Então, será que podemos chamar o "sujeito" de abusador? Acho que sim, né?

Pois é, o abusador, que hoje se tornou político (afinal, sua fama de homem honesto é quase impecável) veio esses dias falar com a ex-menina (pois hoje ela é uma mulher que à duras penas superou tudo que passou) que não entende por que ela nunca mais quis falar com ele. Não entende por que ela o odeia, afinal de contas ele nunca a fez mal algum... Ele a exigiu uma explicação. Ela simplesmente lhe disse que não lhe deve explicação nenhuma e deixou claro que dele só quer distância. Mas a menina anda pensando... Quem sabe não seja a hora de acabar com o silêncio? Afinal, foi ele mesmo que quis mexer nesse passado. Talvez seja a hora de desmascará-lo perante a sociedade, seus eleitos, seus clientes, os pais de seus clientes e até de sua esposa... As eleições vem aí... Talvez seja a hora de todos saberem o quão podre ele é... Talvez...

6 comentários:

  1. 6 Minutos... Ideia de Diadema precisa ser levada em consideração

    https://www.youtube.com/watch?v=P3DPhjLadq8

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  2. Se a pessoa soubesse o quanto me culpei por saber da relação e nunca ter denunciado e feito algo para mudar.
    Eu só poderia pedir perdão e dizer que sinto muito por não ter denunciado. Mesmo muitas vezes querendo contar aos pais dessa menina, mas não o fazia pois havia prometido segredo.
    Quantas vezes quis contar a diretoria dessa empresa, mas não o fiz por covardia.
    Pediria perdão a essa pessoa por não ter sido a amiga que deveria ter sido. Perdao pela covardia e medo de retaliação. Afinal, quem acreditaria em uma garota de 18 anos?

    Mas, falaria que eu seria a primeira a testemunhar e desmascarar. Seria a primeira a compartilhar este texto nas redes sociais. Apoiaria até o fim. Tenho certeza que mais pessoas apareceriam, mais vítimas, mais pessoas para incriminar.
    Essa pessoa merece ser desmascarada, afinal, quem garante que ele ainda não continua o seu ato?!


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    1. Sua atitude foi totalmente compreensível. Era só de uma amiga que eu precisava que me ouvisse e não me julgasse, mesmo não concordando. Se tentasse ajudar me denunciando seria uma traição e eu me afastaria. Vc foi a única da qual não me afastei, eu precisava de vc. Nunca me toquei do quanto isso foi egoísta da minha parte, da dor que causei com isso. Mas não tinha outro jeito, eu precisava de você. Obrigada por ter sido essa amiga quando eu mais precisei. Não se culpe pois não adiantaria nada você querer resolver por mim. Só me deixaria ainda mais sozinha. Você fez o que podia. Muito obrigada mesmo e me desculpe...

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  3. Uma análise das duas mentes. seria necessário.

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    1. Por mais doentia que a mente dele seja , isso não muda o fato de que houve abuso.

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    2. Não muda o fato de que ele fudeu com a vida dela por um bom tempo. Não muda o fato de que ele foi irresponsável e egoísta (pois podia ter evitado tudo isso mas não quis).
      E contra fatos não há argumentos.
      Se esta duvidando de algo que falei sai daqui, não tô obrigando ninguém a ler.

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