domingo, 27 de janeiro de 2013

Até

"Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito 
(...) Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro"

"Eu ando apaixonado
Por cachorros e bichas
(...) Porque eles sabem

Que amar é abanar o rabo
Lamber e dar a pata"


Teve um momento da minha vida que eu precisava ser comunista. Primeiro porque eu não via sentido nenhum na minha vida. Normal. Quando você perde de vez a fé, perde constantemente o "amor", perde os amigos, perde a rotina... é normal não ter motivos para viver. Outra é que eu achava que as coisas estavam muito erradas e que eu tinha que contribuir pra mudar de algum jeito. Quando você não tem muito amor à própria vida, a vida dos outros parece muito importante.
Viajei um bom tempo nisso aí. Perdi tempo mas teve que ser assim. Até "militei". Até que fui vendo, como quem não quer enxergar, que era muito esforço para pouco ou nenhum resultado. Que eu não tava tirando ninguém da miséria e estava perdendo muita aula. Até que um dia um ex namorado me jogou umas coisas na cara, me disse meia dúzia de bobagens, me deixou puta. Larguei tudo por causa dele. Mas foi uma das poucas coisas que esse relacionamento trouxe de bom. Ou levou de ruim...
Eu ainda admiro o comunismo, Che Guevara é um ídolo. Uma pessoa que abre mão da própria vida pra lutar pelos outros merece eterna adoração. Mas eu não quero fazer o mesmo.
A vida e esse relacionamento foram duros comigo. E eu me tornei mais dura também. Não ligo para as pessoas. O mundo é injusto, mas e daí? Não vou gastar o meu tempo lutando por pessoas que eu nem conheço e se conhecesse provavelmente não iria gostar. São poucas as pessoas de que gosto.
O lugar onde me sinto mais sozinha não é no meu quarto. É no meio da multidão. Quando vou a uma rodoviária, na fila do banco... Qualquer um ali, se pudesse, passaria na minha frente, sentaria na minha poltrona, sem querer saber se eu tivesse que descer do ônibus. Ninguém se importa se você tá com medo, se tá com frio, se tá perdido. Eu, com tudo isso, aprendi um grande feito: não ligo também. Enquanto os humanos mentem, se matam, desprezam... os cachorros não tem maldade no coração. Dão amor sem olhar beleza, cor, riqueza. Em troca só querem comida, um lugar pra ficar e passear de vez em quando. É uma troca sempre vantajosa...
Enquanto que dentre toda a humanidade "meia dúzia" de pessoas me interessam, sinto que poderia ser amiga de qualquer cachorro. Porque até o mais sujinho na rua tem um bom coração.
A raça humana é tão medíocre que criou até uma história só pra justificar divinamente sua "superioridade" diante das demais espécies...
E antes que digam alguma coisa, não, eu não estou revoltada com ninguém. Só acho que 99,9% da população não valem minha preocupação. Só isso.
E assim eu reapareço nesse espaço abandonado a mais de um ano e ao mesmo tempo me despeço dele. Quem sabe um dia eu volte? A vida tem dessas coisas... Mas por enquanto pretendo escrever em um outro espaço, sobre outras coisas... Achei melhor. Esse espaço não existe ainda, mas se existir eu passo aqui e deixo o endereço, caso alguém queira saber.
See you...


2 comentários:

  1. Eu também me preocupo com você amiga... você sabe que está na minha restrita lista...

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