quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

OS MITOS ...um equilíbrio precário entre as forças do bem e do mal...


Por filosofia entendemos uma forma nova de pensar, surgida na Grécia por volta de 600 anos a.C. Antes disso, todas as perguntas dos homens tinham sido respondidas pelas diferentes religiões. As explicações religiosas foram passadas de geração em geração através dos mitos.
Um mito é uma história de deuses e tem por objetivo explicar por que a vida é assim como é. Os filósofos gregos tentaram provar que tais explicações não eram confiáveis. Mas, para entender o pensamento dos primeiros filósofos, precisamos entender primeiro o que é ter uma visão mitológica do mundo. Vamos tomar como exemplo algumas concepções mitológicas do norte da Europa. Antes de o cristianismo chegar à Noruega, acreditava-se que quando Tor agitava seu martelo produzia raios e trovões. Quando relampeja e troveja, geralmente também chove. Sendo a chuva vital para os camponeses da era dos vinkings, Tor era adorado como o deus da fertilidade.
Quando caía a chuva, as sementes germinavam e as plantas cresciam nos campos. Não se entendia como as plantas cresciam ou como davam frutos, mas os camponeses sabiam que isso tinha alguma coisa a ver com a chuva. E todos acreditavam que a chuva tinha a ver com Tor.
Mas o martelo de Tor não trazia apenas chuva, era também uma arma poderosa na luta contra as perigosas forças do caos. Assim, Tor era importante ainda por outro motivo: era responsável pela ordem do mundo. Os vinkings imaginavam o mundo como uma ilha, constantemente ameaçada por perigos externos. Os perversos trolls, que habitavam o reino de fora, não se cansavam de tentar destruir o mundo. Na religião nórdica e também em outras culturas, acreditavam haver um equlíbrio precário entre as forças do bem e do mal.
Uma possibilidade que os trolls tinham de detruir o mundo era roubando Freyja, a deusa da fertilidade. Se eles conseguissem, nada mais cresceria nos campos e as mulheres não teriam mais filhos.
Esta era a explicação mitológica para o funcionamento da natureza e para o fato de existir sempre uma luta entre o bem e o mal.
Mas as pessoas não podiam ficar de braços cruzados, esperando pela intervenção dos deuses quando catástrofes tais como secas e epidemias as ameaçavam. Elas precisavam participar de alguma forma dessa luta contra o mal. E isto elas faziam através de cerimônias ou rituais religiosos. O principal ritual na antiguidade nórdica era o sacrifício. Oferecer algo em sacrifício aos deuses significava almentar seu poder.
O mito mais conhecido na Noruega é narrado no poema Trymskveda. Ele nos conta que Tor adormeceu e que, quando acordou, não encontrou seu martelo. Eram os trolls que o haviam roubado, ou melhor, sequestrado. Em troca do martelo, o rei dos trolls exigia se casar com Freyja, a deusa da fertilidade. Essa troca era impossível, pois se Freyja fosse dada aos trolls toda a vida na Terra morreria. Então Tor teve uma ideia: se disfarçou de mulher colocando duas pedras no lugar dos seios e foi se encontrar com os trolls, como se fosse Freyja. Durante a festa quase estragou o desfarce comendo um boi inteiro dentre outras iguarias. Mas contornou a situação dizendo haver 8 dias que não comia, anciosa com o casamento. Durante a cerimônio o martelo foi colocado no colo da noiva. Assim que Tor pegou novamente seu martelo, matou o rei e todos os outros trolls. E assim, o terrível drama envolvendo um refém teve um final feliz.
Esse mito, assim como todos os outros, quer dizer algo. Quando a seca assolava a região, as pessoas precisavam de uma explicação para a total ausência de chuva. Não seria porque os trols haviam roubado o martelo de Tor? Esse mito pode explicar também as estações do ano: no inverno a natureza está morta, porque o martelo foi sequestrado. Mas na primavera Tor consegue reavê-lo. E, assim, os mitos tentam explicar às pessoas coisas que elas não conseguem entender.
Mas as pessoas queriam também participar desses acontecimentos tão importantes. Por isso, em diversas partes do mundo não era raro encenarem “mitos das estações do ano”, a fim de acelerar os processos naturais.
Por volta de 700 a.C., Homero e Hesíodo registraram por escrito boa parte da mitologia grega. Apartir do momento em que os mitos foram colocados no papel, já se podia discutir sobre eles.
Os primeiros filósofos gregos criticaram a mitologia descrita por Homero, porque para eles os deuses ali representados eram muito semelhantes aos homens. De fato, eles eram tão egoístas e traiçoeiros como qualquer um de nós. Pela primeira vez na história da humanidade foi dito claramente que os mitos talvez fossem apenas fruto na imaginação do homem.
Nesta época, os gregos fundaram muitas cidades-estados. Nelas, os escravos faziam todo o trabalho braçal e os cidadãos livres dedicavam-se exclusivamente à política e à cultura. Sob tais condições, ocorreu a evolução de uma forma de pensar atrelada aos mitos para um pensamento construído sobre a experiência e a razão. O objetivo dos primeiros filósofos era o de encontrar explicações naturais para os processos da natureza.

continua...

6 comentários:

  1. Kd a continuação?!

    ResponderExcluir
  2. Uê, mas isso é a continuação...
    Tá bom, pode parecer uma introdução... Mas era importante saber isso...
    De qualquer forma, continua...

    ResponderExcluir
  3. meu blog voltou com tudo acompanhe durante a semana noticiário cultural. Espero que goste. Me siga. Abraços boa semana.

    informativofolhetimcultural.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Na verdade a muito tempo atrás as pessoas não entendiam muito bem as coisas do mundo, não entendia a natureza, não entendiam como era o mundo e isso fazia com que as coisas fossem bem mais dificeis, mas acho que isso ainda não mudou muito, mesmo entendendo muito mais da natureza e do mundo as pessoas ainda são burras o bastante para cometerem os mesmo erros e por motivos idiotas.

    E infelizmente onde não podia ter tanta coisa errada é que é o pior, na religião, cada um tem a sua e acha que defender até a morte faz dele uma pessoa melhor e que assim ele irá para o "ceu", pra mim isso é bobagem, respeito cada religião, mas pra mim o meu Deus que sou catolico, é o mesmo Deus dos mulçumanos, que é o mesmo Deus dos evangelicos.

    O que as pessoas tem que colocar na cabeça é que cada um tem sua religião, acredita no que quer e que ninguem pode e nem deve interferir nisso.

    ResponderExcluir
  5. Com a "desmistificação" de alguns mitos históricos, fica tendêncioso qualquer explicação de natureza religiosa, portanto a humanidade tende ao ceticismo cosmo, entretanto, é preciso ter cuidado ao radicalizar sobre as religiões, por que a ciências ainda estar ha engatinhar sobre algumas questões sem resposta.

    ResponderExcluir
  6. A Continuação encontra-se no livro o mundo de sofia!

    ResponderExcluir

O que está passando na sua cabeça nesse exato momento? Registre aí! ;)