segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A CARTOLA ...a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas...



Natal, fim de ano, é tempo de refletir... E como o blog é meu, façamos a eu modo. Que tal um breve curso de filosofia? Não quero me estender com explicações, desejo ir direto ao ponto. Só digo que se trata de um curso feito por Sofia Amundsen quando, nas vésperas de completar seus 15 anos, começou a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Para quem não leu “O mundo de Sofia” poder sentir um “gostinho” e também para mim, que já li, fazer uma nova reflexão. Então, vamos lá?

Muitas pessoas têm hobbies e gostos diferentes. Mas será que existe alguma coisa que interesse a todos? Sim! Existem questões que deveriam interessar a todos, e são destas questões que tratam esse curso. Uma vez satisfeitas todas as necessidades básicas do ser humano (alimento, abrigo, amor...) ainda resta algo de que todo mundo precise? Os filósofos acreditam que sim. Nós temos necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos. Portanto, interessar-se em saber por que vivemos não é um interesse "casual" como colecionar selos, por exemplo. Quem se interessa por tais questões toca um problema que vem sendo discutido pelo homem praticamente desde quando passamos a habitar este planeta.
O melhor meio de se aproximar da filosofia é fazer perguntas filosóficas: como o mundo surgiu? Existe uma vontade ou um sentido por detrás do que ocorre? Há vida após a morte? Como devemos responder estas perguntas? E, principalmente: como devemos viver?
Basicamente, não existem muitas perguntas filosóficas para se fazer. Mas a história nos mostra diferentes respostas para cada uma delas. É mais fácil, portanto, fazer perguntas filosóficas do que respondê-las.
Cada um de nós deve encontrar a sua resposta para tais perguntas. Não dá para procurar numa enciclopédia se existe um deus ou não, ou se há vida após a morte. Mas a leitura do que outras pessoas pensaram pode nos ser útil quando precisamos construir nossa própria imagem do mundo e da vida.
Um dos antigos filósofos gregos acreditava que a filosofia era fruto da capacidade do homem de se admirar com as coisas. Ele achava que para o homem a vida é algo tão singular que as perguntas filosóficas surgem como que espontaneamente. É como num truque de mágica. Para muitos, o mundo é tão incompreensível quanto um coelhinho que um mágico tira da cartola, que a poucos instantes estava vazia. Nesse caso sabemos que o mágico nos iludiu, mas com o mundo é diferente. Sabemos que ele não é mentira pois vivemos nele, somos parte dele. No fundo, somos o coelhinho branco que é tirado da cartola. A única diferença é que o coelho não sabe que está participando de uma mágica, mas nós sim. Sabemos e gostaríamos de poder explicar como tudo funciona.
Talvez seja melhor comparar o coelhinho branco com todo o universo. Nós que vivemos aqui, somos os bichinhos microscópicos que vivem na base de seus pêlos. Mas os filósofos tentam subir da base para as pontas dos pêlos, a fim de poder olhar dentro dos olhos do grande mágico.
Os bebês tem uma grande capacidade de se admirar com as coisas. Quando nascem são expostos a uma realidade totalmente diferente à da barriga da mãe. Mas ao crescer essa capacidade parece ir desaparecendo. Se os bebês pudessem falar certamente diriam algo sobre o novo e estranho mundo a que chegaram. Pois apesar de não falarem, podemos ver como olham ao redor querendo tocar com curiosidade tudo que veem. Quando começa a falar, a criança diz "Au, au!", toda empolgada quando vê um cachorro. Para nós, os "vividos" esse entusiasmo pode parecer até exagero. Não ficamos empolgados pois já vimos outros cachorros antes. 
esta cen talvez se repita centenas de vezes até que a criança passe por um cachorro, ou por um elefante sem ficar fora de si. Muito antes dela aprender a falar corretamente _ ou muito antes de aprender a pensar filosoficamente _, já se habituou com o mundo. O que certamente é uma pena.
Embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos. A maioria delas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida. Mas o filósofo se assemelha a criança, para a qual o mundo é uma coisa nova. Ele nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. O mundo continua a ter algo de incompreensível, de enigmático, de secreto. 

Resumindo: um coelho é tirado de dentro de uma cartola. E por se tratar de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. As crianças nascem bem na ponta dos pêlos do coelho, por isso conseguem se encantar com o número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. afinal, lá é tão confortável  que elas não ousam mais subir. Só os filósofos tem a ousadia de se lançar nesta jornada rumo aos limites da existência. Eles se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para os que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida: _ Senhores e senhoras, estamos flutuando no espaço!_ Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessam pela gritaria dos filósofos. _ Que caras mais barulhentos!_ elas dizem. E continuam a conversar: _Será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Ouviu falar que Fulana de Tal está grávida de novo?

continua...

5 comentários:

  1. Muito bom texto, gostei muito. Mas oq está passando na minha cabeça é: Pq os filósofos gastam tempo criando teorias para explicar oq Deus criou?

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  2. Aí é que está... Como pode ter tanta certeza disso? Certamente não está pensando por si próprio mas apenas indo de acordo com o censo comum. Mas ainda chegaremos nisso, calma...

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  3. Ela voltou, ela voltou^^
    E voltou com tudo hein, adorei o novo layout do blog.
    Tenho trauma de filosofia(depois te conto..kkkk).
    Então, ainda não planejei nada pras festas de fim de ano .Acho que ficarei em casa mesmo, e vc?

    bjão girl
    ^^

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  4. Olá Ellen,

    Fiquei super contente com sua participação, visita e comentários lá no Gospel LGBT e no meu blog pessoal (Renato Hoffmann). Sua participação foi, sem dúvida, motivo de alegria.

    Estou te add no MSN, naquele e-mail que vc me passou, vc receberá o convite de um e-mail que se inicia com dominus. Pode aceitar que sou eu!

    No mais, muito obrigado,

    Forte abraço,

    Renato Hoffmann

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  5. qual a ideia central da carta?

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