quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A pequenez humana diante da fúria da natureza


Estive ausente desse blog por um tempo. Não por falta de assunto, afinal durante esse tempo ocorreu a tragédia no Haiti. Resolvi não escrever sobre, pois simplesmente não tinha nada a acrescentar. Estava tudo lá nos jornais impressos e televisivos, todos os dias, a tristeza e miséria daquele país estampadas por todos os lados. Um povo tão sofrido enfrentando a fúria da natureza como uma pobre árvore seca e frágil enfrenta a força de um furacão. A vontade que senti foi de ir pra lá ajudar. Não sei nem o que eu seria capaz de fazer para ajudar alguém, mas a vontade que tive era de estar lá, talvez só para não me sentir tão inútil, vendo tudo de camarote no conforto de casa.
Não foi apenas no Haiti que a natureza mostrou sua fúria. Aqui no Brasil tivemos várias amostras disso. Em Angra dos Reis a terra desceu juntamente com a água arrancando tudo que encontravam pela frente: tanto os barracos de pessoas simples quanto hotéis e casas de luxo. Mas antes de Angra tomar o lugar nos noticiários a Baixada Fluminense foi cenário de inundação. Eu estava lá em Duque de Caxias e presenciei. Ao contrário do que eu queria fazer no Haiti, que era ajudar, fui ajudada. Eu e minha família passamos a noite na casa de pessoas que nem conhecíamos, mas que são amigas dos parentes em que estávamos na casa deles. Seremos eternamente gratos por essas pessoas que nos acolheram com tamanha boa vontade.
Falando de catástrofes, em São Paulo esse início de 2010 não está sendo fácil. As chuvas têm castigado não somente a capital, mas também várias cidades do interior paulista. Janeiro deste ano registrou a maior marca em volume de chuvas para o mês desde 1947, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) - foram 480,5 milímetros de chuva contra 481,4 mm há 63 anos. Além disso, só nos quatro primeiros dias de fevereiro choveu 60% da média histórica para o mês na capital. As consequências disso todos sabem: enchentes, desabamentos, mortes, pessoas desabrigadas, aulas atrasadas, doenças transmitidas pela água de enchente...

Para pensar:
“Como podemos ser tão arrogantes? O planeta é, foi e será sempre mais forte que nós. Não podemos destruí-lo; se ultrapassarmos determinada fronteira, ele se encarregará de nos eliminar por completo da sua superfície, e continuará existindo. Por que não começam a falar em ‘não deixar que o planeta nos destrua’? Porque ‘salvar o planeta’ dá a sensação de poder, de ação, de nobreza. Enquanto ‘não deixar que o planeta nos destrua’ é capaz de nos levar ao desespero, à impotência, à verdadeira dimensão de nossas pobres e limitadas capacidades.”

Trecho do livro O vencedor está só, de Paulo Coelho.

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